Amarelo

“Há um elefante sentado em meu peito” é a melhor metáfora que ja vi para descrever o que sinto.

Há um elefante sentado em meu peito.

Mas se o peso do elefante é real, a metáfora deixa de ser metafórica? É certo que não há a mais remota chance de um animal deste porte se encontrar literalmente sobre mim. Moro em um centro urbano e de acordo com o google maps o elefante mais próximo se encontra a 6,4km de distância, no zoológico da cidade – que é supreendentemente perto de minha casa –  e mesmo com a distância literal o peso metafórico-real não me deixa respirar.

Você entende?
O ar entra e sai de meu corpo, meu tórax se movimenta, mas mesmo assim eu não respiro.

“é ansiedade que chama”, brincam na internet. Como alguém pode brincar com isso? mais, como alguém quer me diagnosticar a 300km de distância e sem nenhum conhecimento médico?

Se eu tivesse algum conhecimento médico certamente não sairia por aí diagnosticando estranhos, mas tentaria usar de Freud e Lacan para convencer esse invisível paquiderme a descansar as patas em outro lugar.

Lembro agora de uma anedota do futebol: cansado, o jogador confessa ao repórter à beira do campo que ‘nem com dois pulmão’ ele alcançaria aquela bola. Pois bem, hoje nem com dois pulmão eu consigo entregar à sociedade a produtividade que de mim espera. Eu e o elefante não cabemos no vagão do trem, ou no elevador da firma e muito menos nas paredes modulares do escritório. Nem com dois pulmão eu acordaria às 5 da manhã para saudar o sol, ler um capítulo do Tony Robbins e comer uma torrada sete grãos.

O elefante me paralisa,
me diminui e a falta de ar
embaça a minha mente.

Hoje eu falho com os planos de produtividade. O patrão não entende o quão difícil é cuidar de um elefante.

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Sangue, suor e lágrimas.doc

Minha última publicação por aqui foi em 2017 e isso tem um claro porquê chamado MESTRADO.

Ingressei no programa de Pós-Graduação em Literatura Cultura e Contemporaneidade da PUC-Rio em março de 2017 e defendi minha dissertação em abril de 2019. Neste tempo, estudei muito, li muito, escrevi muito, surtei muito (beijo pra minha terapeuta!) e as postagens daqui não estavam nem entre os dez primeiros itens da lista de prioridades.

Agora, pós-ressaca da defesa, senti vontade de escrever de novo sobre o tema de minha dissertação. Acho que imbuída pelo espírito da Bienal do Livro, evento que reúne as turmas do mercado editorial, da pesquisa, da criação de conteúdo e da leitura aficcionada, e que sempre foi como um porto seguro para mim, lembrei da minha motivação para pesquisar este tema que me é tão caro: o BOOKTUBE.

Minha pesquisa foi realizada entre 2017 e início de 2019. Muita coisa aconteceu nesse período, é claro, e o booktube pareceu ter amadurecido alguns aspectos e abandonado tantos outros. Acho que todo pesquisador que se aventura a analisar o contemporâneo deve se sentir atirando uma flecha de um trem em movimento, mas tenho orgulho de não ter me proposto a acertar o centro do alvo, mas em entender o caminho traçado pela flecha.

O youtube mudou bastante nos últimos anos, muita gente migrou para o instagram e para os podcasts, mas ainda vejo que a principal tendência de comportamento, a “partilha de experiências de leitura” se mantém firme no nosso mundo hiperconectado pela redes sociais. (aquele spoiler bem bacana da conclusão da pesquisa).

Ao longo do caminho, encontrei muita gente incrível e com vontade de entender este fenômeno, mas era no momento da TRETA que ficava mais clara a força do coletivo.
– Se você, em algum momento, achar que a comunidade de leitores anda apática e pouco produtiva na internet, experimente falar uma asneira (se for com o véu de rigor acadêmico, melhor ainda) e sinta uma onda de 5 metros de altura estourar na sua cabeça.- 

Numa dessa ondas conheci pesquisadores do tema em diversos níveis (graduação, mestrado e doutorado) e universidades (UFC, UFPA, UFRJ, UNIRIO…) e vimos como ainda é difícil reunir material sobre esse objeto contemporâneo. Então, sem vaidades acadêmicas ou competitividade, começamos a trocar arquivos com artigos científicos, pesquisas, links para eventos e reportagens e tudo o que era possível para ajudar a construir uma bibliografia em conjunto. Minha gente, como isso fez diferença. Os conceitos de ‘inteligência coletiva’ e ‘partilha de leitura’ estavam ali, postos não só como objeto de pesquisa, mas também no próprio fazer da pesquisa. Algo em metalinguagem prática que era de uma beleza sem fim e que trazia um acalento nos momentos mais duros da escrita (e quem já escreveu uma dissertação sabe que não são poucos).2018-11-22 (1).png

Agora (no momento pós-ressaca, reforço) paro para refletir e agradecer a ajuda de todos.
Agradeço aos colegas pesquisadores, aos amigos booktubers (sempre disponíveis a me passar as informações), à turma reflexiva do mercado (Mabi e Lameira <3) e até aos letrados desinformados geradores de treta.
Como contribuição, deixo aqui abaixo o texto integral da minha pesquisa.

Aos que começaram nessa jornada de pesquisa sobre o Booktube agora: boa sorte, aproveite a jornada, faça terapia, conte com seus pares, não se deixe cegar pelos holofotes e dê atenção a metodologia.

 

Grande abraço,
nos vemos na Bienal.

Dissertação Ana Carolina Barbosa Carpintéro (final)

ps: eu queria deixar o link da plataforma Capes, mas o arquivo ainda não foi indexado por lá.

 

Aquela última fatia de torta

Certo dia me fizeram uma solicitação de troca de livros no Skoob. Eu, desapegada que sou, aceitei, mas não encontrei nada na lista do solicitante que me agradasse para que eu pudesse pedir em retorno. Eis que então a pessoa iluminada me sugeriu pegar “O Segredo do meu Marido”, da autora australiana Liane Moriarty.

Assim que recebi o livro comecei a ler e me apaixonei. A naturalidade dos diálogos e o segredo que ia se revelando aos poucos junto a histórias mais complexas de outras personagens me cativaram. Terminei a leitura em tempo recorde e indiquei a todos que apareciam na minha frente.

Quando o segundo grande lançamento da autora chegou ao Brasil eu estava estudando feito louca e coloquei “Pequenas Grandes Mentiras” para o fim da pilha de leitura. Logo soube que a trama viraria série, mas me prometi não assistir aos episódios enquanto não lesse o original. Promessa essa que durou até um domingo de chuva em que descobri que já havia 5 episódios disponíveis no NOW.

Pequenas mentiras de famílias de classe média que culminam em um evento surpreendente. Roteiro viciante. Atuações sensacionais. Direção maravilhosa. Trilha sonora perfeita (OUÇAM A TRILHA SONORA !). HBO.
Novamente intimei todos ao meu redor a assistir essa maravilha televisiva (sorry. it’s not tv, it’s hbo) e a se unir a mim no fã-clube de Liane Moriarty Lovers TM (patente pendente).

Então, para chegar finalmente ao objeto dessa resenha, vi o lançamento “Até que a culpa nos separe” reluzindo em uma prateleira na Livraria Cultura no mês passado. Peguei meu exemplar e fui aproveitar minhas merecidas férias do mestrado com um texto nada teórico-ensaísta-acadêmico.

Essa é a parte que eu explico o título da resenha: sabe quando você come uma torta maravilhosa, que tem tudo que você gosta e parece que nunca vai te enjoar? Você tenta deixar a torta na geladeira para comer mais tarde, mas não descansa enquanto não comer mais um pedacinho, mais uma fatia, só mais um pouquinho para não estragar na geladeira? (a gente sabe que não vai estragar no dia seguinte. a gente sabe.) Aí a última fatia, que tem os mesmos ingredientes da primeira, tão linda e cremosa quanto a segunda, parece enjoativa e meio sem-graça. Você sabe disso, não sabe?

46566779E foi isso que senti lendo “Até que a Culpa nos Separe”. Reconheci ali todos os ingredientes de um “romance de Liane Moriarty”. Temos pequenos segredos familiares numa trama recortada que vai se revelando aos poucos. E achei um saco.
Sim, muito maduro dar essa volta textual enorme para dizer “que saco”, mas é isso. É um livro bem escrito (embora eu tenha percebido uma tradução um tanto apressada), tem romance, drama, suspense, personagens tridimensionais, mas nada ali parece surpreender de fato.A impressão é que Liane encontrou uma fórmula e a pretende usar até esgotá-la, uma pena.
Eu aqui abri o botão da calça, estufei a barriga e enfrentei a última fatia da torta. Sem muita empolgação, como aquela fatia da gula costuma ser, e fui até o fim. Estou cheia.

Sobre O valor do Chick lit ou, Eu te amo Marian Keyes

Eu comecei a gostar de ler tarde. Quando vejo alguém apaixonado por livros, a história sempre começa com “lia os livros da minha mãe”, ou “virava a noite lendo Harry Potter” ou até mesmo “tinha coleção completa da Turma da Mônica”.
Eu não lia gibis. Eu não lia os livros indicados na escola. Eu nunca ansiei por uma carta de Hogwarts.

Certo dia, num mar de textos teóricos e pesados da graduação, resolvi me abrigar em um romance leve e divertido, para que pudesse me distrair e esquecer um pouco os meios frios e quentes e a modernidade líquida. Foi quando me dei conta de que havia lido 400 páginas em dois dias. E assim, num só golpe, me tornei leitora e fã de chicklit.

C-H-I-C-K-L-I-T um termo cunhado de forma um tanto pejorativa, às vezes usado para indicar uma “baixa literatura”, comercial, sem valor artístico-filosófico-o-que-seja, mas que está sempre presente nas livrarias e no vagão das mulheres do metrô do Rio de Janeiro. É basicamente um gênero de comédia romântica ou drama romântico com protagonistas mulheres na faixa dos 30 anos. (sabe Bridget Jones? Então, é por ai.)

Eu não leio uma história garota-encontra-garoto esperando Dostoiévski e, pasmem, as autoras não escrevem esses textos tentando ser Dostoiévski. Se hoje eu amo literatura ao ponto de embarcar em uma pós-graduação na área (e minha pesquisa é sobre a nova crítica literária) é porque algum dia eu virei uma leitora, e fui apresentada aos livros por Marian Keyes e Sophie Kinsella. Elas escrevem livros de 500 páginas que poderiam ser resumidas em 5? Sim. As temáticas são parecidas e os conflitos das personagens são triviais? Na maioria das vezes, sim. A linguagem é simples e acessível? sem dúvidas, sim. E QUAL É O PROBLEMA?

Sabe o que eu fiz quando concluí o longo e desgastante processo seletivo do mestrado? Li um livro de 500 páginas sobre uma mulher que escreve um livro bobo enquanto estava hospitalizada, vira uma estrela literária e depois tudo vai por água abaixo. Livro esse que estava em minha cabeceira aguardando ansiosamente para ser lido desde o dia em que enfrentei 3 horas de fila para conseguir o autógrafo da autora irlandesa baixinha fofa por quem sou muito grata de ter entrado em minha vida.

Isso aí, depois de um ano lendo os Nobel de literatura, os filósofos da linguagem e os clássicos da crítica, fui correndo para os braços de quem a academia tanto despreza. E ESTÁ TUDO BEM. Tudo bem. Não me interprete mal por favor, eu amei ler os Nobel, os filósofos e os clássicos. Fiz marcações com caneta rosa e corações (sou dessas) no devir de Deleuze, beijaria Suely Rolnik após ler a “geopolítica da cafetinagem” e assaria biscoitos para receber Rancière para um chá da tarde, mas quando preciso apertar o pause e relaxar, sei a qual estante da livraria recorrer.

 

A conclusão que chego? Bem, pode ser que daqui a dois anos, quando terminar minha dissertação sobre o assunto eu ache esse post infantil e descabido, mas por enquanto, vejo que não se deve julgar o leitor por suas leituras (por mais que eu torça o nariz para os fãs de Augusto Cury. Tenha dó, gente! ).

Feliz 2017, boas leituras a todos e me desejem sorte no mestrado!

Beijos

Escritas Performáticas

Me descobri apaixonada por literatura mas a preguiça de voltar para a graduação me impede de estudar mais a fundo o tema, então fui atrás de cursos de curta duração onde eu pudesse encontrar outros loucos em situação parecida e ler uma quantidade animal de livros em um curto espaço de tempo sem ninguém me julgar.

Para minha grata surpresa, encontrei uma grande variedade de cursos de extensão na Puc-Rio e, por uma pequena fortuna parcelada em 12 vezes no boleto das Casa Bahia, eu me inscrevi num curso chamado ‘Escritas Performáticas’. A proposta do curso envolvia, além da discussão e análise de livros maravilhosos que eu nem sabia que existiam, exercícios de escrita super diferentes e criativos que tiravam qualquer um da zona de conforto.

Então fui lá eu por 10 noites de segunda-feira ser feliz na Gávea.

Amei o curso e recomendo a todos que queiram expandir o conhecimento em literatura. Já publiquei aqui e aqui uns exercícios de escrita que fiz durante as aulas e também vou deixar uma lista com todos os livros que lemos durante o curso. Alguns livros eu li o texto completo, outros li somente partes (por falta de tempo ou por completo estranhamento da obra e choque-e esse estranhamento demora a leitura, então voltamos ao primeiro problema).

Prometo colocar resenhas de alguns desses textos. Algumas serão medrosas e meio cagadas, outras serão mais divertidas ou profundas, mas todas performáticas (porque descobri que é divertido fazer performance com o texto) (e também descobri que adoro colocar parênteses sem necessidade).

 

Livros discutidos durante o  curso, em ordem aleatória:

O ateliê de Giacometti , de Jean Genet
A coleção particular, de Georges Perec
Coleção de Ficções, de Gordon Lish
O Brasil é bom, de Andre santanna
Foe, de J.M. Coetzee
O espelho da tauromaquia, de Michel Leiris
Cosmos, de Witold Gombrowicz
Náufrago,de Thomas Bernhard
A polaquinha, de Dalton Trevisan
Estar sendo. Ter sido, de Hilda Hilst
Se um viajante numa noite de inverno, de Ítalo Calvino
Três tristes tigres, de Guillermo Cabrera Infante
As noites de flores, de César Aira
Respiração artificial, de Ricardo Piglia
Museu do romance da eterna, de Macedônio Fernández
Ficções, de Jorge Luis Borges

 

Nota para o Curso: todas

Resenha de ‘A Coroa’ (#5 da série A Seleção)

Começo essa resenha dizendo que terminei de ler A Coroa e imediatamente comecei a reler a trilogia original de A Seleção. Precisava me lembrar porque me apaixonei por este mundo de distopia de princesas criado por Kiera Cass. Felizmente me lembrei, e me empolguei novamente com intrigas, revoltas, vilões, batalhas (e mortes!), jogo político,mistério, personagens fortes e uma bela história de amor que amarra tudo isso.

E cadê esses elementos nos dois últimos livros da série, que falam da seleção protagonizada por Eadlyn, filha do casal queridinho dos três primeiros livros?

Em A Herdeira, livro #4(tem resenha aqui) eu já senti falta dos elementos empolgantes da história, mas como Eady era uma princesa egoísta, mimada e irritante, achei que meu estranhamento com a obra tivesse essa a causa.Vi várias resenhas de leitores irritados com ela também, então tudo bem, minha implicância não era gratuita.

Captura de Tela 2016-05-12 às 14.16.41    Em A Coroa, Eady amadurece e consegue perceber que existe vida além do palácio, que o povo deve ser priorizado pela rainha e que é possível governar um país e ter um marido a seu lado sem demonstrar fraqueza. Ponto para a autora, certo? Mais ou menos.

A história ainda se prende muito a escolha do pretendente pela princesa e ignora vários pontos importantes que poderiam deixar a leitura empolgante. Vamos lá, temos uma mulher no poder, vamos falar de empoderamento feminino (lembrando que temos muitas adolescentes fãs da série) ? Temos um povo insatisfeito com o regime, vamos falar de política? E não é para transformar um livro de princesas em um manifesto não, é para trazer emoção, um pouquinho de profundidade e, sinceramente, para deixar uma competição entre alguns rapazes pelo coração de uma moça mais interessante.

Com pais tão inteligentes, críticos e subversivos como Maxon e America, a princesa Eadlyn parece carecer de senso crítico e seu maior problema adolescente-malhação é ‘Meus súditos me xingam muito no twitter’. Li o livro todo com aquela cara de quem achou que fosse comer chocolate, mas era alfarroba.

Para ser justa, há sim um vilão na história e uma sombra de discussão política. Porém tudo muito breve e superficial para o meu gosto.

Talvez eu esteja tomada pelo cenário político do nosso país, ou simplesmente já tenha passado da idade para histórias de princesas, mas ‘A Coroa’ não me conquistou. Ainda bem que tenho Max, Meri, Aspen, Marlee, Lucy e os rebeldes do sul e do norte para me fazer companhia.

Informações Técnicas
Título: A Coroa
Autor: Kiera Cass
Editora: Seguinte
Páginas: 310

Nota 3,0/ 5,0

Outliers- fora de série (resenha)

Conversando em um jantar com um amigo sobre meu projeto “As 20 primeiras horas”, descobri que a tal teoria das 10 mil horas de dedicação para se tornar um expert em uma área foi primeiramente abordada neste livro do Malcolm Gladwell entitulado Outliers (em português “Fora de Série”). É claro que fiquei bastante curiosa para ler o texto na íntegra e saber dessa história direto na fonte, e tive a grata surpresa ao ver que Outliers vai muito além das 10 mil horas.

‘Outlier’ é  o que podemos chamar de ponto fora da curva. Algo de destaque tão grande que foge a todos os padrões e nesse caso, Gladwell pegou o conceito emprestado da estatística para falar de pessoas de maior destaque em suas áreas. Para o autor, os grandes nomes do esporte, da música, da química, das artes, etc se dedicaram por, no mínimo 10 mil horas a seu ofício. Gladwell lança mão de diversos exemplos para provar que a intensa dedicação e um ‘quê’ de aptidão natural podem fazer do homem esforçado, uma referência na área.

Selfmade man?

Essa não é uma ideia muito difícil de vender, certo?  Todos o livros e filmes hollywoodianos de ‘histórias de sucesso’ nos mostram que o intenso esforço individual é força motriz suficiente para o selfmade man chegar ao topo, não é mesmo?
E é aí que entra a grande sacada do livro: o autor se utliza de dados estatísticos e históricos para desconstruir esse mito.

outliersSim, é claro que dedicação e
aptidão são essenciais, mas através de diversas análises ele consegue nos mostrar como nascer em um tal período do ano, ou em tal cidade, ou ter uma bagagem cultural diferente podem ser mais relevantes do que ter um QI de 200 na conquista de prêmio Nobel.

Com a permissão do spoiler, digo que descobrir que jogadores de Hockey nascidos em janeiro tem mais chance de virarem profissionais e que grandes desastres aéreos foram causados pela subserviência de algumas culturas foi das coisas mais curiosas que li ultimamente. Além disso, a ligação da facilidade dos orientais com a matemática com a cultura dos arrozais foi uma descoberta que me fez xingar alguns palavrões em voz alta. (sim, sou uma leitora catártica que mal-educada)

Um livro de curiosidades ou de auto-ajuda?

Pelo que pude notar,há um consenso em classificar os livros de Gladwell como ‘auto-ajuda’, mas esse em especial eu não entendi o porquê. Este livro não te ensina nada, não te motiva a nada e, não vou dizer que ele atrapalha, mas AJUDAR também não ajuda!
Ao final da leitura, fiquei bem mais confusa se a meritocracia existe ou se é mais um conceito inventado por quem está no topo e não consegue olhar para nada além de seu umbigo.

Ninguém ‘se faz sozinho’, somos frutos do meio e contamos com nossa história, cultura e um bocado de sorte. Então vale a pena se dedicar 10 mil horas ou mais para atingir a excelência? E se eu não estiver no local certo na hora certa e cercada das pessoas certas, conseguirei me tornar ‘fora de série’?  Confesso que essas questões me incomodaram bastante e me fizeram pensar. E que MARAVILHA isso, não? Um livro que TE FAZ PENSAR, veja só!

Terminei a leitura com mais perguntas do que respostas e um bônus de ‘fatos curiosos’ para temperar mais conversas em jantares com amigos.

“Toda vez que a sorte bateu em minha porta, me encontrou trabalhando.”
(frase atribuída a uns 40 pensadores diferentes na internet)

 

No geral, gostei bastante do livro. Fácil leitura e o texto flui que é uma beleza!
Dei nota 4,5.
Li no kindle e tem no LeLivros pra baixar de graça.

 

Informações Técnicas:
Título: Fora de Série- Outliers
Autor: Malcolm Gladwell
Editora: Sextante
Páginas: 288

Leituras de Fevereiro 2016

Era pra ser um vídeo rápido sobre os livros que li no mês passado, mas falei tanto que acabou virando um curta-metragem com 4 resenhas literárias.  (isso porque eu editei muito! No original era um longa metragem)

Chega de enrolação e vamos ao vídeo. Quem gostar desse tipo de conteúdo me avisa que eu posso fazer mais posts assim. Ou não. Eu não sou muito disciplinada nas postagens, né? É a vida.

Bj!

Livros citados:
A Civilização do Espetáculo- Mario Vargas Llosa
After 1 e 2 – Anna Todd
O Velho e o Mar – Ernest Hemingway
Mulheres- Charles Bukowski

A civilização do espetáculo – Opinião sobre o livro

“A civilização do espetáculo”, de Mario Vargas Llosa, foi a escolha do meu clube do livro para o mês de janeiro e, por já ter lido o texto “A sociedade do espetáculo”, de Guy Debord na graduação, logo me interessei bastante pela leitura.

Realmente a introdução e o primeiro capítulo do livro fazem essa ponte com a obra de Debord, uma crítica a perda de valores da sociedade, sendo tudo reduzido ao entretenimento. O jornalismo perde seu caráter crítico e investigativo e aumenta o número de reportagens sensacionalistas e cobertura da frivolidade. A literatura também foge do convite a reflexão (seja ela sobre o comportamento humano em um romance ou sobre questões sociais de nossa época). As obras literárias de nosso século são sempre lights, com o intuito de distrair o leitor em sua viagem de metrô ou na fila do banco.

Capa A civilizacao do espetaculo.inddAs artes plásticas (e desse assunto eu entendo pouco) almejam chocar, criar uma vanguarda de um movimento sem estética ou propósito. Sobre a música acho que o autor nem cita exemplos, acredito por ser de senso comum que a música contemporânea seja essencialmente comercial. Em resumo, retoma a ideia de que a cultura se transformou em bem de consumo: uma ida ao museu para render fotos no instagram, a compra de um quadro como investimento financeiro e a leitura de um livro para se passar de cult numa mesa de bar.

Os capítulos seguintes abordam temas como política, religião e liberdade sexual.
Posso parecer pedante, petulante, polêmica ou tanto faz, mas não gostei do livro. A temática é ótima e a redação também, mas algumas coisas me incomodaram bastante ao longo do texto e consegui separá-las em três categorias:

1- Mais do mesmo
Muitas vezes notei que o texto apenas descrevia o cotidiano, sem opinião ou reflexão, apenas apontava o óbvio. Sei que isso tem o seu valor na áreas de humanidades, mas alguns trechos me lembravam minhas encheções de linguiça em provas de teoria da comunicação.

2- Crítica dura a meus heróis
Ok, chamar Roland Barthes de herói é um exagero de minha parte, mas ver uma dura crítica a Foucault, Lipovetsky, Baudrillard e tantos outros autores estudados por mim por diversos anos foi difícil de digerir. Além de soar como derrotista e ressentido ao criticar esses teóricos com pouquíssimo embasamento, Llosa ainda usa o termo “cultura ” como a séculos não se usa mais. Faz a distinção de alta (de elite) e baixa cultura (popular), retoma a discussão de que algumas culturas (agora no sentido de hábitos sociais) são superiores a outras, que a cultura de alguns países europeus é melhor do que de algumas tribos africanas, por exemplo.
Esse julgamento de valor me deixou bem irritada, mas não vou me aprofundar pois já citei meus ‘heróis’ da sociologia e quem os conhece sabe o porque deste choque.

3- Generalização e opinião pessoal mascarada
Uma passagem sobre a liberdade sexual e o fim do erotismo chega a ser cômica. Llosa, que diversas vezes critica os sofistas, nos apresenta o seguinte raciocínio sofista-enganador :
Todos os jovens se interessam pelo o que lhes é proibido. A liberdade sexual acaba com o mistério e o pudor do sexo. Logo, os jovens vão atrás de outras coisas proibidas, como as drogas.
OU SEJA, se você conversar abertamente com seu filho adolescente sobre masturbação (que era o assunto em debate no capítulo) ele perderá o interesse em sexo e começará a usar drogas. Jura? Mas você jura mesmo que você disse isso Llosa? Que raciocínio é esse que eu não entendi até agora?
Essa dinâmica de lógica sofista se dá em outros trechos do livro e, a meu ver, só servem para mascarar uma opinião pessoal do autor por pesquisa social fundamentada.

 

No geral, acho que Llosa conseguiu cumprir um papel importante com seu livro: gerou reflexão e discussão e não foi objetificado com o intuito de entreter os leitores, no caso, as leitoras, já que meu Clube do Livro é composto por mulheres.

 

Nota: 2/ 5

 

Dicas de livros para dar de presente!

Fim de ano é sempre assim: amigo oculto no trabalho, entre amigos, na família, e você não tem ideia do que dar de presente, certo ?

Ainda mais quando você tira um colega que não tem tanta intimidade ou uma tia meio chata que nunca gosta de presente nenhum. Aí o que você faz?
Assiste o meu vídeo com dicas de livros, é claro!

 

 

Livros Citados

Moby Dick
Perdido em Marte
Garota Exemplar
1001 Livros para ver antes de morrer
Correr
Eu AMO Correr
Eu AMO Bike
Cozinha Prática
Bela Cozinha
Dia de Beauté
Por uma vida mais Doce
Cachorros submarinos
Filhotes Submarinos
Ache MOMO
O Sol é para Todos, de Harper Lee
Joyland, de Stephen King
O Segredo do meu Marido
Fiquei com seu Número, de Sophie Kinsella
Como eu era antes de você, de jojo Moyes