O que aprendi com ‘Alucinadamente Feliz’

Jenny Lawson tem depressão, sofre de ansiedade, fobias sociais é meio maluca. Certo dia, numa espiral depressiva ela recebeu mais uma notícia ruim e, em vez de
se encolher e cair na profunda tristeza, resolveu mandar o mundo se fuder e ser alucinadamente feliz, só de raiva.

O livro reune memórias engraçadas e bizarras da autora desde sua infância e, muito pontualmente, aparecem trechos reflexivos sobre transtornos psicológicos. Jenny é jornalista e tem um blog bem famoso onde posta (sem muito filtro) situações do seu cotidiano. Está longe de ser um livro de autoajuda, mas mesmo assim muita gente se sente ajudada por saber que não está sozinha em suas estranhas batalhas diárias.

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Muitas vezes me peguei achando que partes do livro só poderiam ser ficcionais, e daquelas ficções que não convencem muito, tipo um realismo fantástico que ficou na metade do caminho, mas Jenny diz que tudo realmente aconteceu com ela e, partindo do princípio que seu pai é taxidermista ( gente que empalha animais mortos), acho que a linha entre o bizarro e cotidiano naquela família era bem diferente da minha.

Eu não tenho transtornos psicológicos (não que eu saiba) e não entendo quase nada de depressão e afins, mas acho que consegui tirar lições importantes do livro, como:

Dizer a alguém com depressão para ‘Se animar e sair dessa’ é como dizer a um surdo que ele não consegue ouvir porque ‘não está se esforçando o suficiente’.

          OK, eu sou uma pessoa legal otimista e amiga e me imagino dizendo todas as frases que Jenny pontuou como ineficazes e irritantes para quem está em depressão. Depressão é uma doença, é um desequilíbrio químico e deve ser encarada dessa forma. Se o tratamento vai ser feito com drogas sintéticas, naturais, holística eu não sei, só sei que culpar o doente de não esforçar direito não é o caminho. Me lembrei de quando eu tinha dores de barriga horrorosas e me diziam que “era psicológico”, como se eu não tivesse equilíbrio mental o suficiente para evitar um piriri em público. Não gente, EU NÃO TENHO DIARREIA DE PROPÓSITO E NÃO ESTOU QUERENDO CHAMAR ATENÇÃO, era o que eu queria gritar. No fim das contas descobri (eu não, o Dr. Sabrá, santo homem) que tenho alergia alimentar e que meu sistema digestório estava completamente zoado.

Escreva com honestidade

Jenny já tinha um blog de sucesso quando decidiu falar sobre sua depressão, mas a abordagem honesta sobre sua vida e sua relação com a doença gerou uma comoção entre os leitores. Ela pode ajudar leitores e criar uma rede para pedir ajuda quando precisa. Além disso, virou um fenômeno editorial, porque encontrou um nicho pouco explorado (pelo menos do jeito que ela o explora) e nada disso foi de propósito. Ela só escreveu o que queria escrever, com o olhar que só ela poderia ter.

Tenha empatia, paciência e ofereça ajuda.

Se um ente querido tiver depressão, a melhor forma de abordar é com respeito, atenção e ajuda nas questões práticas. Frases motivacionais são legais, mas como disse aí em cima, as vezes o tiro sai pela culatra.

Seja feliz, do jeito que você é feliz.

Já somos comparados, cobrados e obrigados a fazer muita coisa, mas quanto a felicidade ela só pode ser particular. Só eu sei o que me faz feliz e é essa voz que devo ouvir. Cala a boca, mundo! Meu tempo livre é meu e eu não vejo Game of Thrones, pare de insistir, por favor.

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Como obra literária, acho que poderia ser mais enxuto. O livro é composto por várias histórias curtas ( ótimo para ler no metrô!) e por uns momentos eu meio que cansei do tanto de estranheza delas. Por não ter continuidade entre uma história e outra, aquela sensação de ‘preciso ler mais um capítulo mesmo sendo 2 da manhã e tendo que acordar cedo para trabalhar’ faz falta. Intercalei sua leitura com outro livro (bem maior e acabei de ler bem antes)  mas Jenny tem um texto muito fluido e faz a leitura valer a pena. Ela sabe escrever sobre o cotidiano, algo que acho difícil, sem a informalidade toda do blog, do jeito que um livro leve deve ser. Também gostei muito dos pensamentos nonsense que pontuam os textos e sempre se repetem ao final de uma história, dando aquela ideia de ciclo fechado, algo que amo em textos mais curtos e crônica.

 

Nota: 5,0/ 5,0

 

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Escritas Performáticas

Me descobri apaixonada por literatura mas a preguiça de voltar para a graduação me impede de estudar mais a fundo o tema, então fui atrás de cursos de curta duração onde eu pudesse encontrar outros loucos em situação parecida e ler uma quantidade animal de livros em um curto espaço de tempo sem ninguém me julgar.

Para minha grata surpresa, encontrei uma grande variedade de cursos de extensão na Puc-Rio e, por uma pequena fortuna parcelada em 12 vezes no boleto das Casa Bahia, eu me inscrevi num curso chamado ‘Escritas Performáticas’. A proposta do curso envolvia, além da discussão e análise de livros maravilhosos que eu nem sabia que existiam, exercícios de escrita super diferentes e criativos que tiravam qualquer um da zona de conforto.

Então fui lá eu por 10 noites de segunda-feira ser feliz na Gávea.

Amei o curso e recomendo a todos que queiram expandir o conhecimento em literatura. Já publiquei aqui e aqui uns exercícios de escrita que fiz durante as aulas e também vou deixar uma lista com todos os livros que lemos durante o curso. Alguns livros eu li o texto completo, outros li somente partes (por falta de tempo ou por completo estranhamento da obra e choque-e esse estranhamento demora a leitura, então voltamos ao primeiro problema).

Prometo colocar resenhas de alguns desses textos. Algumas serão medrosas e meio cagadas, outras serão mais divertidas ou profundas, mas todas performáticas (porque descobri que é divertido fazer performance com o texto) (e também descobri que adoro colocar parênteses sem necessidade).

 

Livros discutidos durante o  curso, em ordem aleatória:

O ateliê de Giacometti , de Jean Genet
A coleção particular, de Georges Perec
Coleção de Ficções, de Gordon Lish
O Brasil é bom, de Andre santanna
Foe, de J.M. Coetzee
O espelho da tauromaquia, de Michel Leiris
Cosmos, de Witold Gombrowicz
Náufrago,de Thomas Bernhard
A polaquinha, de Dalton Trevisan
Estar sendo. Ter sido, de Hilda Hilst
Se um viajante numa noite de inverno, de Ítalo Calvino
Três tristes tigres, de Guillermo Cabrera Infante
As noites de flores, de César Aira
Respiração artificial, de Ricardo Piglia
Museu do romance da eterna, de Macedônio Fernández
Ficções, de Jorge Luis Borges

 

Nota para o Curso: todas

Maratona literária de Inverno #MLI2016

Foi a maratona literária de inverno do ano passado e todo seu zunzunzum entre os booktubers que me fez querer criar um Canal no Youtube e  participar dessa bagunça cheia de gente inteligente e amante da literatura.

Porém nesse ano eu estou com bem menos tempo livre e, não só vai ficar difícil gravar vídeos, como também vou ter menos tempo para ler (ano passado eu li 8 livros, eu acho). Então para não ficar tristinha e de fora da brincadeira, resolvi participar da MLI aqui pelo blog e usar as semanas temáticas de uma forma diferente. Apresento-lhes :

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Semana 01:
Um livro encalhado. Livro de gente encalhada
E a personagem mais encalhada que conheço é a hilária Bridget Jones. Já vi todos os filmes, mas nunca li nenhum dos livros, então vou aproveitar que o novo filme está quase aí e os livros voltaram a aparecer nas promoções das livrarias e cantar muito ‘All by MYSELF… ‘ durante a semana.

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Semana 02:
Believe the Hype: um livro que todo mundo está comentando. Um livro que ninguém fala, e que parece ser ruim.
Confesso, sou igual a criança que nunca comeu brócolis mas detesta, faz careta e ensaia vômito quando vê um prato dessas arvorezinhas verdes. EU ODEIO PAULO COELHO e nunca li nada do moço. Acho que tudo que ele escreve é ruim e não vale ser chamado de literatura, só porque ouvi muita gente culta dizer isso e eu finjo que sou inteligentona.
Vou ler o Alquimista e seja o que Deus quiser.

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Nem Paulão Rabbit tá acreditando em mim.

 

Semana 03:
Outros mundos. Em que mundo vocês vivem?
Adoro a Colleen Hoover. Pago pau mesmo, acho que ela escreve muito bem e o texto flui, mas EM QUE MUNDO OS PERSONAGENS DELA VIVEM? Num mundo onde definitivamente não existem psicólogos, pois todos são severamente danificados e ninguém cogita se tratar. Muita análise pra vocês, meus queridos.
Lerei o lançamento “Talvez um dia” que tem umas 400 páginas mas que vão parecer ter 150, como todos os livros dela.

Semana 04:
Diversidade.
Não dá pra subverter o tema ‘diversidade’, né? Vou fazer o que? Ler um livro sobre casal hétero-branco-ocidental-classe média? Não né, já me bastam as primeiras 3 semanas para isso. Só vou fugir dos livros LGBT pra ser do contra (todo mundo escolhe essa temática) e ler ‘Persépolis’, que é uma graphic novel sobre uma menina de 10 anos e sua visão da revolução que levou o Irã ao regime xiita.

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Então é isso. Let the games begin!

 

Duas Cartas

22/01/95

Li recentemente que escrever uma carta é mandar uma mensagem para o futuro. Pois bem, como o futuro é o único lugar onde você poderá ler estas palavras, minha filha, achei acertado escrevê-las agora.

Hoje é seu primeiro aniversário. Sua mãe foi às pressas ao supermercado comprar alguns itens de última hora para sua festa. Parece que Marina, sua tia, ligou avisando que está de regime e que só bebe refrigerante diet. Veja se tem cabimento? Quem quer emagrecer bebe água, e não liga de véspera pra arrumar trabalho para os outros, não é mesmo?

Mas tudo há seu lado positivo, enquanto mamãe perde seus últimos fios de cabelo preparando o evento perfeito, eu fiquei com a mais honrosa e inspiradora tarefa, a de cuidar de você.

Estamos nós dois na sala de casa. Você ensaia seus primeiros passos e faz de tudo para arrancar esse laço enorme que te colocaram na cabeça, algo lindo de se ver. Minha pequena rebelde, minha melhor obra de arte.

Ah, minha filha querida, se algum dia eu ousei pensar que entendia de amor, estava enganado. E não há prosa ou poesia que traduza o calor que sinto no peito neste exato momento, ao te ver finalmente conseguir tirar os sapatos cor de rosa.

Meu amor, minha menina, minha melhor parte de mim. Em que pedaço do futuro será que estas palavras vão te alcançar? Será que você já estará adulta? Será engenheira, médica ou talvez bailarina? Você já demonstra tanto talento para a dança, acompanha o ritmo das músicas e reage a elas do seu jeito, criando seus próprios passos… Na verdade não me importa que caminho você siga, minha filha, contato que seja o que te traga felicidade.

Sempre vou apoiar seus sonhos, quero que você cresça com confiança para abrir as asas e alcançar grande vôos.

Na verdade não, retiro o que disse. Não quero que você cresça. Preciso de mais tempo para me deleitar com esse pedacinho do presente, para me banhar nesses sentimentos puros e plenos que tenho ao te ver agora, já sem o laço, sem os sapatos e com o vestido sujo dos brigadeiros que conseguiu roubar antes da festa.

Te amo mais que todas as cartas de amor,

Seu pai.

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22/01/16

Meu velho,

Sendo as cartas um instrumento do tempo, espero que esta aqui chegue a um lugar onde nós dois estejamos juntos novamente.

 Mamãe hoje está tranqüila e aqui no sofá lendo o último livro do Chico, disse que já tenho idade suficiente para organizar meu próprio aniversário. Tia Marina ligou há pouco para avisar que agora só bebe chá orgânico. Tantos anos se passaram e a gorda ainda não aprendeu a beber água, veja só! 

Já encomendei o bolo, enrolei os brigadeiros e mamãe fez um troço de pasta de soja para os petiscos. Ela virou vegetariana depois daquele retiro espiritual na Índia, mas vez ou outra ainda faz aquela sua receita de pizza. E sempre que pega o vidro de erva doce para salpicar sobre as rodelas de calabresa, me lança uma piscadela e diz: ‘Agora o segredo do papai’, como se fossemos cúmplices de uma travessura.

Meus amigos não gostam de erva doce na pizza de calabresa. Para dizer a verdade, ‘não gostar’ é um eufemismo perto das coisas que eles falam sobre essa nossa mistura peculiar de sabores. Eu não me importo com o que dizem, essa pizza pra mim, vai ser sempre a mais gostosa, a que tem gostinho de infância, de carinho de pai.

Preciso te contar uma novidade: conheci um carinha na faculdade. Ele é simpático, bonito, carinhoso e muito inteligente. Está cursando mestrado em física, acredita? É apaixonado pelo que faz, e é capaz de ficar horas falando sobre partículas quânticas e movimentação das galáxias. Desse tipo de coisa que ninguém consegue ver, medir ou provar, mas que todos acreditam por ser tratar de uma ‘ciência exata’. Ainda não sei como os físicos ficaram com a fama de mestres, e nós artistas, com a fama de loucos! Nos divertimos bastante com isso e estou a ponto de convencê-lo de que há mais exatidão na minha música do que nas teorias dele.

 Ai paizinho, queria que você estivesse aqui para conhecê-lo. E também para ver que estou mantendo a tradição de me livrar dos laços de cabeça e dos sapatos cor de rosa antes da hora do parabéns.

Te amo mais que todas as sinfonias,

 Sua filha.

 

 PS – esqueci de dizer: ele também gosta de erva doce na pizza.

Sem ponto final

Já reparou que protagonista de romance tem que ter grana, beleza, inteligência, trauma de infância, status e vontade de vencer na vida, e que se o romance for na onda do feminismo é a mulher que tem tudo isso e o cara tem nada, com sorte sobra um trauma de infância para fazer a composição da personagem, mas protagonista que é protagonista tem que ter desejo de vencer na vida porque ninguém vai escrever história de quem acorda às 6 da manhã e medita, e trabalha, e passeia com o cachorro, e esquenta uma sopa, e vê House of Cards, e dorme, e acorda porque isso não é história de protagonista de romance, isso é história de gente, e gente não se interessa por história de gente, porque gente quer ler sobre protagonista que deseja vencer na vida, mesmo que a vida de uma pessoa seja a vida de só uma pessoa, e se só tem um competidor na corrida não tem como chegar em segundo lugar, então todo mundo vence na própria vida, mas o cara do cachorro e netflix que não compete com ninguém e não tem desejo de vencer na vida e nem trauma de infância não pode ser protagonista de romance, porque gente que não quer vencer na vida não gosta de ver história de gente que não quer vencer na vida e escolhe na netflix a história do cara que tem grana e beleza e inteligência e trauma de infância e vontade de vencer na vida

Resenha de ‘A Coroa’ (#5 da série A Seleção)

Começo essa resenha dizendo que terminei de ler A Coroa e imediatamente comecei a reler a trilogia original de A Seleção. Precisava me lembrar porque me apaixonei por este mundo de distopia de princesas criado por Kiera Cass. Felizmente me lembrei, e me empolguei novamente com intrigas, revoltas, vilões, batalhas (e mortes!), jogo político,mistério, personagens fortes e uma bela história de amor que amarra tudo isso.

E cadê esses elementos nos dois últimos livros da série, que falam da seleção protagonizada por Eadlyn, filha do casal queridinho dos três primeiros livros?

Em A Herdeira, livro #4(tem resenha aqui) eu já senti falta dos elementos empolgantes da história, mas como Eady era uma princesa egoísta, mimada e irritante, achei que meu estranhamento com a obra tivesse essa a causa.Vi várias resenhas de leitores irritados com ela também, então tudo bem, minha implicância não era gratuita.

Captura de Tela 2016-05-12 às 14.16.41    Em A Coroa, Eady amadurece e consegue perceber que existe vida além do palácio, que o povo deve ser priorizado pela rainha e que é possível governar um país e ter um marido a seu lado sem demonstrar fraqueza. Ponto para a autora, certo? Mais ou menos.

A história ainda se prende muito a escolha do pretendente pela princesa e ignora vários pontos importantes que poderiam deixar a leitura empolgante. Vamos lá, temos uma mulher no poder, vamos falar de empoderamento feminino (lembrando que temos muitas adolescentes fãs da série) ? Temos um povo insatisfeito com o regime, vamos falar de política? E não é para transformar um livro de princesas em um manifesto não, é para trazer emoção, um pouquinho de profundidade e, sinceramente, para deixar uma competição entre alguns rapazes pelo coração de uma moça mais interessante.

Com pais tão inteligentes, críticos e subversivos como Maxon e America, a princesa Eadlyn parece carecer de senso crítico e seu maior problema adolescente-malhação é ‘Meus súditos me xingam muito no twitter’. Li o livro todo com aquela cara de quem achou que fosse comer chocolate, mas era alfarroba.

Para ser justa, há sim um vilão na história e uma sombra de discussão política. Porém tudo muito breve e superficial para o meu gosto.

Talvez eu esteja tomada pelo cenário político do nosso país, ou simplesmente já tenha passado da idade para histórias de princesas, mas ‘A Coroa’ não me conquistou. Ainda bem que tenho Max, Meri, Aspen, Marlee, Lucy e os rebeldes do sul e do norte para me fazer companhia.

Informações Técnicas
Título: A Coroa
Autor: Kiera Cass
Editora: Seguinte
Páginas: 310

Nota 3,0/ 5,0

Será que eu aprendi a tocar guitarra? #as20primeirashoras

E com um senhor atraso eu venho aqui avisar que concluí as 20 horas de prática de guitarra!

AEEEEEEE !!!!

Demorou mais do que eu pensava, mas já adianto que o resultado foi bem interessante. Além de ter perdido perdido o medo de me jogar nos acordes e tablaturas, eu vi que é possível desenvolver novas habilidades e aprender coisas novas, mesmo nessa vida corrida de ‘gente grande’.

Aprender a tocar um instrumento é parecido com aprender a dirigir, no começo tudo requer muita atenção e concentração (cheguei a sentir a mente exausta), mas depois o corpo meio que aprende o que deve fazer, e de repente não fica mais tão difícil assim.

 

Não que eu me ache uma musicista nata. Sofri para aprender os primeiros acordes. Quanta frustração! Mas mesmo assim, achei a experiência muito válida, ainda mais por servir de inspiração para amigos irem atrás daqueles sonhos de infância que tinham sido engavetados.

VOCÊ NÃO ESTÁ MUITO VELHO PARA APRENDER. ok?
Tira aquele violão do armário, se inscreve a aula de ballet para adultos, entra naquele site de aprender inglês e VAI !

Agora sobre as músicas que escolhi para treinar, tive que fazer uma seleção bem rigorosa já que:

1- Não consigo fazer a bendita pestana. (não desisti, tá?)
2- Algumas músicas mudam de levada várias vezes (aí eu me enrolo)
3- Não tenho pedaleira. Sem distorção, tem música que fica irreconhecível (Ramones vira música de louvor)

Então vou colocar aqui os links que me ajudaram (valeu Cifra Club) para quem quiser se aventurar também:

Ho Hey– The Lumineers – Vídeo no Cifra Club
Last Kiss– Pearl Jam- Vídeo no Cifra Club
Cowboy fora da Lei– Raul Seixas – Vídeo no Cifra Club
Monomania– Clarice Falcão- Vídeo no Cifra Club
Ring of Fire– Jhonny Cash – Cifras no Cifra Club
I Walk the Line– Jhonny Cash- Tutorial em Inglês no Youtube
One – U2 – Tutorial em Inglês no Youtube
Heroes– David Bowie – Tutorial Youtube


Agora vou escolher qual será o próximo desafio das 20 primeiras horas. Alguma sugestão?

 

Outliers- fora de série (resenha)

Conversando em um jantar com um amigo sobre meu projeto “As 20 primeiras horas”, descobri que a tal teoria das 10 mil horas de dedicação para se tornar um expert em uma área foi primeiramente abordada neste livro do Malcolm Gladwell entitulado Outliers (em português “Fora de Série”). É claro que fiquei bastante curiosa para ler o texto na íntegra e saber dessa história direto na fonte, e tive a grata surpresa ao ver que Outliers vai muito além das 10 mil horas.

‘Outlier’ é  o que podemos chamar de ponto fora da curva. Algo de destaque tão grande que foge a todos os padrões e nesse caso, Gladwell pegou o conceito emprestado da estatística para falar de pessoas de maior destaque em suas áreas. Para o autor, os grandes nomes do esporte, da música, da química, das artes, etc se dedicaram por, no mínimo 10 mil horas a seu ofício. Gladwell lança mão de diversos exemplos para provar que a intensa dedicação e um ‘quê’ de aptidão natural podem fazer do homem esforçado, uma referência na área.

Selfmade man?

Essa não é uma ideia muito difícil de vender, certo?  Todos o livros e filmes hollywoodianos de ‘histórias de sucesso’ nos mostram que o intenso esforço individual é força motriz suficiente para o selfmade man chegar ao topo, não é mesmo?
E é aí que entra a grande sacada do livro: o autor se utliza de dados estatísticos e históricos para desconstruir esse mito.

outliersSim, é claro que dedicação e
aptidão são essenciais, mas através de diversas análises ele consegue nos mostrar como nascer em um tal período do ano, ou em tal cidade, ou ter uma bagagem cultural diferente podem ser mais relevantes do que ter um QI de 200 na conquista de prêmio Nobel.

Com a permissão do spoiler, digo que descobrir que jogadores de Hockey nascidos em janeiro tem mais chance de virarem profissionais e que grandes desastres aéreos foram causados pela subserviência de algumas culturas foi das coisas mais curiosas que li ultimamente. Além disso, a ligação da facilidade dos orientais com a matemática com a cultura dos arrozais foi uma descoberta que me fez xingar alguns palavrões em voz alta. (sim, sou uma leitora catártica que mal-educada)

Um livro de curiosidades ou de auto-ajuda?

Pelo que pude notar,há um consenso em classificar os livros de Gladwell como ‘auto-ajuda’, mas esse em especial eu não entendi o porquê. Este livro não te ensina nada, não te motiva a nada e, não vou dizer que ele atrapalha, mas AJUDAR também não ajuda!
Ao final da leitura, fiquei bem mais confusa se a meritocracia existe ou se é mais um conceito inventado por quem está no topo e não consegue olhar para nada além de seu umbigo.

Ninguém ‘se faz sozinho’, somos frutos do meio e contamos com nossa história, cultura e um bocado de sorte. Então vale a pena se dedicar 10 mil horas ou mais para atingir a excelência? E se eu não estiver no local certo na hora certa e cercada das pessoas certas, conseguirei me tornar ‘fora de série’?  Confesso que essas questões me incomodaram bastante e me fizeram pensar. E que MARAVILHA isso, não? Um livro que TE FAZ PENSAR, veja só!

Terminei a leitura com mais perguntas do que respostas e um bônus de ‘fatos curiosos’ para temperar mais conversas em jantares com amigos.

“Toda vez que a sorte bateu em minha porta, me encontrou trabalhando.”
(frase atribuída a uns 40 pensadores diferentes na internet)

 

No geral, gostei bastante do livro. Fácil leitura e o texto flui que é uma beleza!
Dei nota 4,5.
Li no kindle e tem no LeLivros pra baixar de graça.

 

Informações Técnicas:
Título: Fora de Série- Outliers
Autor: Malcolm Gladwell
Editora: Sextante
Páginas: 288

Leituras de Fevereiro 2016

Era pra ser um vídeo rápido sobre os livros que li no mês passado, mas falei tanto que acabou virando um curta-metragem com 4 resenhas literárias.  (isso porque eu editei muito! No original era um longa metragem)

Chega de enrolação e vamos ao vídeo. Quem gostar desse tipo de conteúdo me avisa que eu posso fazer mais posts assim. Ou não. Eu não sou muito disciplinada nas postagens, né? É a vida.

Bj!

Livros citados:
A Civilização do Espetáculo- Mario Vargas Llosa
After 1 e 2 – Anna Todd
O Velho e o Mar – Ernest Hemingway
Mulheres- Charles Bukowski

1 mês para aprender a tocar guitarra #as20primeirashoras

Agora sim vai começar o projeto ‘As 20 primeiras horas’ !

Como primeira meta, escolhi aprender (finalmente) a tocar guitarra.

Já estudei música há bastante tempo atrás, mas por ter coincidido com o período de vestibular, acabei não me dedicando muito a prática do instrumento. Então tive, por anos, uma guitarra encostada, vontade de aprender e quase nenhuma disciplina para treinar.

O bom de ter essa meta das 20 horas é que consigo organizar meus horários para dar um gás maior no aprendizado. Não sei se com todo mundo é assim, mas ao ver a linha de chegada fica mais fácil dar o sprint. rss Então esse countdown de horas de prática acaba servindo de motivação.

Agora acompanhem no vídeo a minha total inabilidade musical e aproveitem, essa palhaçada está com os dias contados!

 

Beijos!