Aquela última fatia de torta

Certo dia me fizeram uma solicitação de troca de livros no Skoob. Eu, desapegada que sou, aceitei, mas não encontrei nada na lista do solicitante que me agradasse para que eu pudesse pedir em retorno. Eis que então a pessoa iluminada me sugeriu pegar “O Segredo do meu Marido”, da autora australiana Liane Moriarty.

Assim que recebi o livro comecei a ler e me apaixonei. A naturalidade dos diálogos e o segredo que ia se revelando aos poucos junto a histórias mais complexas de outras personagens me cativaram. Terminei a leitura em tempo recorde e indiquei a todos que apareciam na minha frente.

Quando o segundo grande lançamento da autora chegou ao Brasil eu estava estudando feito louca e coloquei “Pequenas Grandes Mentiras” para o fim da pilha de leitura. Logo soube que a trama viraria série, mas me prometi não assistir aos episódios enquanto não lesse o original. Promessa essa que durou até um domingo de chuva em que descobri que já havia 5 episódios disponíveis no NOW.

Pequenas mentiras de famílias de classe média que culminam em um evento surpreendente. Roteiro viciante. Atuações sensacionais. Direção maravilhosa. Trilha sonora perfeita (OUÇAM A TRILHA SONORA !). HBO.
Novamente intimei todos ao meu redor a assistir essa maravilha televisiva (sorry. it’s not tv, it’s hbo) e a se unir a mim no fã-clube de Liane Moriarty Lovers TM (patente pendente).

Então, para chegar finalmente ao objeto dessa resenha, vi o lançamento “Até que a culpa nos separe” reluzindo em uma prateleira na Livraria Cultura no mês passado. Peguei meu exemplar e fui aproveitar minhas merecidas férias do mestrado com um texto nada teórico-ensaísta-acadêmico.

Essa é a parte que eu explico o título da resenha: sabe quando você come uma torta maravilhosa, que tem tudo que você gosta e parece que nunca vai te enjoar? Você tenta deixar a torta na geladeira para comer mais tarde, mas não descansa enquanto não comer mais um pedacinho, mais uma fatia, só mais um pouquinho para não estragar na geladeira? (a gente sabe que não vai estragar no dia seguinte. a gente sabe.) Aí a última fatia, que tem os mesmos ingredientes da primeira, tão linda e cremosa quanto a segunda, parece enjoativa e meio sem-graça. Você sabe disso, não sabe?

46566779E foi isso que senti lendo “Até que a Culpa nos Separe”. Reconheci ali todos os ingredientes de um “romance de Liane Moriarty”. Temos pequenos segredos familiares numa trama recortada que vai se revelando aos poucos. E achei um saco.
Sim, muito maduro dar essa volta textual enorme para dizer “que saco”, mas é isso. É um livro bem escrito (embora eu tenha percebido uma tradução um tanto apressada), tem romance, drama, suspense, personagens tridimensionais, mas nada ali parece surpreender de fato.A impressão é que Liane encontrou uma fórmula e a pretende usar até esgotá-la, uma pena.
Eu aqui abri o botão da calça, estufei a barriga e enfrentei a última fatia da torta. Sem muita empolgação, como aquela fatia da gula costuma ser, e fui até o fim. Estou cheia.

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Agenda Carioca de Clubes do Livro| Março

Não sei quanto aos outros lugares, mas aqui no Rio de Janeiro nós brincamos de desejar Feliz Ano Novo após o carnaval.Acabaram-se as férias, o horário de verão e a procrastinação do ‘depois do carnaval eu começo’. Então se você está com energia para ler bastante e discutir com quem também entende e adora literatura, aproveita que em março teremos 7 Clubes de discussão + 2 eventos literários. Dos clássicos mundiais aos romances contemporâneos, em março vai ter Clube do Livro para todo mundo.

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07/03– “A filha Perdida”, Clube Intrínseca, na Cultura do Centro. Link do evento.
09/03– “O céu de Lima”, Clube7, na Travessa da Sete de Setembro. Link do evento.
09/03– ” Os aventureiros da solidão”, Clube Blooks. Link do evento.
11/ 03– Clube do Livro Saraiva, na Saraiva do Rio Sul. Link do evento.
14/03– “O mundo em chamas”, Clube Botafogo, na Travessa de Botafogo. Link do evento.
22/03– “Precisamos falar sobre Kevin”, Leia Mulheres, na Blooks. Link do evento.
25/03– 28 Encontro de leitores, A menina que comprava livros, na Travessa do Leblon. Link do evento.
26/03– “O pomar das almas perdidas”, Mulheres na Literatura, na Travessa Barrashopping,  Link do evento.
27/03– “Dois irmãos”, Clube Barra, na Travessa Barrashopping. Link do evento.
31/03– “Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda”, Clássicos da Zahar, na Travessa do CCBB.

Lembrando que:

  • Alguns eventos são livres, já outros precisam de inscrição prévia, então fique de olho nesse detalhe.
  • TODOS os eventos são gratuitos.

Vale também destacar a noite de autógrafos da Julia Quinn. Ainda não li nada da autora, mas conheço muita gente apaixonada por seus romances de época. No Rj, o evento será no dia 12, na Travessa do Leblon.

 

Feliz Ano Novo, pessoal !

 

 

Agenda Carioca de Clubes do Livro| Fevereiro

Eu adoro blogs literários, canais do booktube e todo tipo de interação online com outros fãs de literatura, mas também amo participar de eventos literários (#vemBienal) e clubes de leitura. Acho algo de mágico reunir um grupo de pessoas com o propósito de trocar experiências e impressões sobre uma obra. As discussões são sempre enriquecedoras e ver de perto a paixão de outras pessoas pelo texto acaba me incentivando a ler mais.

Felizmente no Rio de Janeiro  há muitos encontros de clubes de leitura, mas mesmo seguindo todas as redes sociais de livrarias e editoras que conheço, ainda me perco nas datas dos eventos. Por isso resolvi criar essa pequena agenda de eventos.
Pretendo fazer posts mensais divulgando os clubes que ficar sabendo. Mesmo que não consiga ir a todos, pelo menos ajudo outros leitores perdidos como eu a ser organizar.

Aqui estão os clubes que encontrei para FEVEREIRO

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17/02– “O Homem Invisível”, Clássicos da Zahar,  na Travessa do CCBB . Link do evento
19/02– “O Pomar das Almas perdidas”, Mulheres na Literatura, na Travessa do Barra Shopping. Link do evento
21/02–  “Cilada para um Marques”, Clube Autêntica, na Cultura do centro. Link do evento
22/02– “O morro dos ventos uivantes”, Leia Mulheres, na Blooks. Links do Evento

  • Alguns eventos são livres, já outros precisam de inscrição prévia, então fique de olho nesse detalhe.
  • TODOS os eventos são gratuitos.

Você sabe de algum evento literário que vá acontecer no Rio? Está organizando um clube de leitura? Me manda um email avisando, por favor!

No ar Rarefeito e a febre do cume

O livro

“No Ar Rarefeito”, do jornalista Jon Krakauer, narra a expedição rumo ao pico do Everest em 1996. Contratado por uma revista para escrever sobre a comercialização do que seria um dos maiores feitos da escalada, Krakauer foi com a missão de entender o negócio de transformar escaladores com pouca experiência e muito dinheiro, em desbravadores da maior montanha do mundo.
Logo no início já sabemos que esta foi a temporada com o maior número de mortes na história do esporte. Se isso se deu por despreparo dos escaladores, por imperícia dos guias das excursões ou por uma incrível falta de sorte em pegar uma tempestade de neve a 8 mil metros de altura, fica para o leitor decidir. Com um tipo de texto quase jornalístico, Krakauer apresenta fatos lembrados por ele e relatados por outros membros das equipes, além de contar histórias de vida de alguns colegas na intenção de apresentar suas motivações para vencer o cume.

Loucura (?)

   Eu já corri uma maratona. Sim, aquela de 42km. Fui chamada de louca por amigos não-corredores, afinal, passar meses treinando e horas correndo para se deslocar de um ponto a outro e ganhar uma medalha não é mesmo algo ‘normal’, mas quando se está inserido no esporte, no ambiente em que vários colegas se orgulham de ter esse feito no currículo, o desejo de fazer parte do ‘clube dos maratonistas’ cresce e se naturaliza.
Tendo dito que entendo que a loucura para uns é natural para outros E deixando claro que nunca escalei nada e sei pouquíssimo sobre esporte, ao ler ‘No ar rarefeito’ eu tive a certeza de que é LOUCURA escalar o Everest. Sério, que gente maluca!
Durante uma maratona, em caso de cansaço, você pode parar, voltar para casa, pegar uma carona na ambulância, terminar a prova caminhando… em nenhuma dessas opções você MORRE. Percebeu a diferença? No Everest, você morre.
Não quero parecer desrespeitosa às famílias da vítimas. O livro é um relato, todas as pessoas ali existiram e sinto muito pela tragédia, mas é difícil não pensar como aquilo poderia ter sido evitado.
Como a mente é capaz de nos pregar peças, não é mesmo? A ambição de se provar forte, capaz, de realizar um sonho ou de pertencer ao seleto ‘clube-dos-conquistadores-do-Everest-que-são-melhores-do-que-o-resto-da-humanidade’ sobrepõe o mais básico instinto de sobrevivência. A febre do cume é perigosa.

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A escolha do meu clube do livro de Janeiro

 

Você precisa escalar o Everest para ser feliz, para se sentir realizado, completo ou algo do tipo? Pode me explicar o porquê? Por que eu acho mesmo é que você precisa é fazer terapia.

A leitura

O livro é bem escrito e, para um relato, bem completo. Uma leitura interessante para quem gosta de fugir do romance padrão, mas eu sou amante do romance padrão, então, embora recomende o livro para amigos, achei a leitura maçante.
Não gosto de biografias, livros históricos e autoajuda, mas as vezes é bom fugir da ficção para ver como é a vida do outro lado. Nem que seja para aumentar minha certeza do amor pelo romance.

 

Nota: 3,5/ 5,0

obs: o filme ‘Everest’ fala sobre esta mesma expedição e me ajudou a visualizar o cenário do livro. Para quem não faz idéia do que é uma fenda ou um escalão Hillary, recomendo assistir o filme (mas só para servir de ilustração mesmo. o filme em si é meia-boca)

Sobre O valor do Chick lit ou, Eu te amo Marian Keyes

Eu comecei a gostar de ler tarde. Quando vejo alguém apaixonado por livros, a história sempre começa com “lia os livros da minha mãe”, ou “virava a noite lendo Harry Potter” ou até mesmo “tinha coleção completa da Turma da Mônica”.
Eu não lia gibis. Eu não lia os livros indicados na escola. Eu nunca ansiei por uma carta de Hogwarts.

Certo dia, num mar de textos teóricos e pesados da graduação, resolvi me abrigar em um romance leve e divertido, para que pudesse me distrair e esquecer um pouco os meios frios e quentes e a modernidade líquida. Foi quando me dei conta de que havia lido 400 páginas em dois dias. E assim, num só golpe, me tornei leitora e fã de chicklit.

C-H-I-C-K-L-I-T um termo cunhado de forma um tanto pejorativa, às vezes usado para indicar uma “baixa literatura”, comercial, sem valor artístico-filosófico-o-que-seja, mas que está sempre presente nas livrarias e no vagão das mulheres do metrô do Rio de Janeiro. É basicamente um gênero de comédia romântica ou drama romântico com protagonistas mulheres na faixa dos 30 anos. (sabe Bridget Jones? Então, é por ai.)

Eu não leio uma história garota-encontra-garoto esperando Dostoiévski e, pasmem, as autoras não escrevem esses textos tentando ser Dostoiévski. Se hoje eu amo literatura ao ponto de embarcar em uma pós-graduação na área (e minha pesquisa é sobre a nova crítica literária) é porque algum dia eu virei uma leitora, e fui apresentada aos livros por Marian Keyes e Sophie Kinsella. Elas escrevem livros de 500 páginas que poderiam ser resumidas em 5? Sim. As temáticas são parecidas e os conflitos das personagens são triviais? Na maioria das vezes, sim. A linguagem é simples e acessível? sem dúvidas, sim. E QUAL É O PROBLEMA?

Sabe o que eu fiz quando concluí o longo e desgastante processo seletivo do mestrado? Li um livro de 500 páginas sobre uma mulher que escreve um livro bobo enquanto estava hospitalizada, vira uma estrela literária e depois tudo vai por água abaixo. Livro esse que estava em minha cabeceira aguardando ansiosamente para ser lido desde o dia em que enfrentei 3 horas de fila para conseguir o autógrafo da autora irlandesa baixinha fofa por quem sou muito grata de ter entrado em minha vida.

Isso aí, depois de um ano lendo os Nobel de literatura, os filósofos da linguagem e os clássicos da crítica, fui correndo para os braços de quem a academia tanto despreza. E ESTÁ TUDO BEM. Tudo bem. Não me interprete mal por favor, eu amei ler os Nobel, os filósofos e os clássicos. Fiz marcações com caneta rosa e corações (sou dessas) no devir de Deleuze, beijaria Suely Rolnik após ler a “geopolítica da cafetinagem” e assaria biscoitos para receber Rancière para um chá da tarde, mas quando preciso apertar o pause e relaxar, sei a qual estante da livraria recorrer.

 

A conclusão que chego? Bem, pode ser que daqui a dois anos, quando terminar minha dissertação sobre o assunto eu ache esse post infantil e descabido, mas por enquanto, vejo que não se deve julgar o leitor por suas leituras (por mais que eu torça o nariz para os fãs de Augusto Cury. Tenha dó, gente! ).

Feliz 2017, boas leituras a todos e me desejem sorte no mestrado!

Beijos

O que aprendi com ‘Alucinadamente Feliz’

Jenny Lawson tem depressão, sofre de ansiedade, fobias sociais é meio maluca. Certo dia, numa espiral depressiva ela recebeu mais uma notícia ruim e, em vez de
se encolher e cair na profunda tristeza, resolveu mandar o mundo se fuder e ser alucinadamente feliz, só de raiva.

O livro reune memórias engraçadas e bizarras da autora desde sua infância e, muito pontualmente, aparecem trechos reflexivos sobre transtornos psicológicos. Jenny é jornalista e tem um blog bem famoso onde posta (sem muito filtro) situações do seu cotidiano. Está longe de ser um livro de autoajuda, mas mesmo assim muita gente se sente ajudada por saber que não está sozinha em suas estranhas batalhas diárias.

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Muitas vezes me peguei achando que partes do livro só poderiam ser ficcionais, e daquelas ficções que não convencem muito, tipo um realismo fantástico que ficou na metade do caminho, mas Jenny diz que tudo realmente aconteceu com ela e, partindo do princípio que seu pai é taxidermista ( gente que empalha animais mortos), acho que a linha entre o bizarro e cotidiano naquela família era bem diferente da minha.

Eu não tenho transtornos psicológicos (não que eu saiba) e não entendo quase nada de depressão e afins, mas acho que consegui tirar lições importantes do livro, como:

Dizer a alguém com depressão para ‘Se animar e sair dessa’ é como dizer a um surdo que ele não consegue ouvir porque ‘não está se esforçando o suficiente’.

          OK, eu sou uma pessoa legal otimista e amiga e me imagino dizendo todas as frases que Jenny pontuou como ineficazes e irritantes para quem está em depressão. Depressão é uma doença, é um desequilíbrio químico e deve ser encarada dessa forma. Se o tratamento vai ser feito com drogas sintéticas, naturais, holística eu não sei, só sei que culpar o doente de não esforçar direito não é o caminho. Me lembrei de quando eu tinha dores de barriga horrorosas e me diziam que “era psicológico”, como se eu não tivesse equilíbrio mental o suficiente para evitar um piriri em público. Não gente, EU NÃO TENHO DIARREIA DE PROPÓSITO E NÃO ESTOU QUERENDO CHAMAR ATENÇÃO, era o que eu queria gritar. No fim das contas descobri (eu não, o Dr. Sabrá, santo homem) que tenho alergia alimentar e que meu sistema digestório estava completamente zoado.

Escreva com honestidade

Jenny já tinha um blog de sucesso quando decidiu falar sobre sua depressão, mas a abordagem honesta sobre sua vida e sua relação com a doença gerou uma comoção entre os leitores. Ela pode ajudar leitores e criar uma rede para pedir ajuda quando precisa. Além disso, virou um fenômeno editorial, porque encontrou um nicho pouco explorado (pelo menos do jeito que ela o explora) e nada disso foi de propósito. Ela só escreveu o que queria escrever, com o olhar que só ela poderia ter.

Tenha empatia, paciência e ofereça ajuda.

Se um ente querido tiver depressão, a melhor forma de abordar é com respeito, atenção e ajuda nas questões práticas. Frases motivacionais são legais, mas como disse aí em cima, as vezes o tiro sai pela culatra.

Seja feliz, do jeito que você é feliz.

Já somos comparados, cobrados e obrigados a fazer muita coisa, mas quanto a felicidade ela só pode ser particular. Só eu sei o que me faz feliz e é essa voz que devo ouvir. Cala a boca, mundo! Meu tempo livre é meu e eu não vejo Game of Thrones, pare de insistir, por favor.

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Como obra literária, acho que poderia ser mais enxuto. O livro é composto por várias histórias curtas ( ótimo para ler no metrô!) e por uns momentos eu meio que cansei do tanto de estranheza delas. Por não ter continuidade entre uma história e outra, aquela sensação de ‘preciso ler mais um capítulo mesmo sendo 2 da manhã e tendo que acordar cedo para trabalhar’ faz falta. Intercalei sua leitura com outro livro (bem maior e acabei de ler bem antes)  mas Jenny tem um texto muito fluido e faz a leitura valer a pena. Ela sabe escrever sobre o cotidiano, algo que acho difícil, sem a informalidade toda do blog, do jeito que um livro leve deve ser. Também gostei muito dos pensamentos nonsense que pontuam os textos e sempre se repetem ao final de uma história, dando aquela ideia de ciclo fechado, algo que amo em textos mais curtos e crônica.

 

Nota: 5,0/ 5,0

 

Escritas Performáticas

Me descobri apaixonada por literatura mas a preguiça de voltar para a graduação me impede de estudar mais a fundo o tema, então fui atrás de cursos de curta duração onde eu pudesse encontrar outros loucos em situação parecida e ler uma quantidade animal de livros em um curto espaço de tempo sem ninguém me julgar.

Para minha grata surpresa, encontrei uma grande variedade de cursos de extensão na Puc-Rio e, por uma pequena fortuna parcelada em 12 vezes no boleto das Casa Bahia, eu me inscrevi num curso chamado ‘Escritas Performáticas’. A proposta do curso envolvia, além da discussão e análise de livros maravilhosos que eu nem sabia que existiam, exercícios de escrita super diferentes e criativos que tiravam qualquer um da zona de conforto.

Então fui lá eu por 10 noites de segunda-feira ser feliz na Gávea.

Amei o curso e recomendo a todos que queiram expandir o conhecimento em literatura. Já publiquei aqui e aqui uns exercícios de escrita que fiz durante as aulas e também vou deixar uma lista com todos os livros que lemos durante o curso. Alguns livros eu li o texto completo, outros li somente partes (por falta de tempo ou por completo estranhamento da obra e choque-e esse estranhamento demora a leitura, então voltamos ao primeiro problema).

Prometo colocar resenhas de alguns desses textos. Algumas serão medrosas e meio cagadas, outras serão mais divertidas ou profundas, mas todas performáticas (porque descobri que é divertido fazer performance com o texto) (e também descobri que adoro colocar parênteses sem necessidade).

 

Livros discutidos durante o  curso, em ordem aleatória:

O ateliê de Giacometti , de Jean Genet
A coleção particular, de Georges Perec
Coleção de Ficções, de Gordon Lish
O Brasil é bom, de Andre santanna
Foe, de J.M. Coetzee
O espelho da tauromaquia, de Michel Leiris
Cosmos, de Witold Gombrowicz
Náufrago,de Thomas Bernhard
A polaquinha, de Dalton Trevisan
Estar sendo. Ter sido, de Hilda Hilst
Se um viajante numa noite de inverno, de Ítalo Calvino
Três tristes tigres, de Guillermo Cabrera Infante
As noites de flores, de César Aira
Respiração artificial, de Ricardo Piglia
Museu do romance da eterna, de Macedônio Fernández
Ficções, de Jorge Luis Borges

 

Nota para o Curso: todas

Maratona literária de Inverno #MLI2016

Foi a maratona literária de inverno do ano passado e todo seu zunzunzum entre os booktubers que me fez querer criar um Canal no Youtube e  participar dessa bagunça cheia de gente inteligente e amante da literatura.

Porém nesse ano eu estou com bem menos tempo livre e, não só vai ficar difícil gravar vídeos, como também vou ter menos tempo para ler (ano passado eu li 8 livros, eu acho). Então para não ficar tristinha e de fora da brincadeira, resolvi participar da MLI aqui pelo blog e usar as semanas temáticas de uma forma diferente. Apresento-lhes :

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Semana 01:
Um livro encalhado. Livro de gente encalhada
E a personagem mais encalhada que conheço é a hilária Bridget Jones. Já vi todos os filmes, mas nunca li nenhum dos livros, então vou aproveitar que o novo filme está quase aí e os livros voltaram a aparecer nas promoções das livrarias e cantar muito ‘All by MYSELF… ‘ durante a semana.

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Semana 02:
Believe the Hype: um livro que todo mundo está comentando. Um livro que ninguém fala, e que parece ser ruim.
Confesso, sou igual a criança que nunca comeu brócolis mas detesta, faz careta e ensaia vômito quando vê um prato dessas arvorezinhas verdes. EU ODEIO PAULO COELHO e nunca li nada do moço. Acho que tudo que ele escreve é ruim e não vale ser chamado de literatura, só porque ouvi muita gente culta dizer isso e eu finjo que sou inteligentona.
Vou ler o Alquimista e seja o que Deus quiser.

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Nem Paulão Rabbit tá acreditando em mim.

 

Semana 03:
Outros mundos. Em que mundo vocês vivem?
Adoro a Colleen Hoover. Pago pau mesmo, acho que ela escreve muito bem e o texto flui, mas EM QUE MUNDO OS PERSONAGENS DELA VIVEM? Num mundo onde definitivamente não existem psicólogos, pois todos são severamente danificados e ninguém cogita se tratar. Muita análise pra vocês, meus queridos.
Lerei o lançamento “Talvez um dia” que tem umas 400 páginas mas que vão parecer ter 150, como todos os livros dela.

Semana 04:
Diversidade.
Não dá pra subverter o tema ‘diversidade’, né? Vou fazer o que? Ler um livro sobre casal hétero-branco-ocidental-classe média? Não né, já me bastam as primeiras 3 semanas para isso. Só vou fugir dos livros LGBT pra ser do contra (todo mundo escolhe essa temática) e ler ‘Persépolis’, que é uma graphic novel sobre uma menina de 10 anos e sua visão da revolução que levou o Irã ao regime xiita.

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Então é isso. Let the games begin!

 

Resenha de ‘A Coroa’ (#5 da série A Seleção)

Começo essa resenha dizendo que terminei de ler A Coroa e imediatamente comecei a reler a trilogia original de A Seleção. Precisava me lembrar porque me apaixonei por este mundo de distopia de princesas criado por Kiera Cass. Felizmente me lembrei, e me empolguei novamente com intrigas, revoltas, vilões, batalhas (e mortes!), jogo político,mistério, personagens fortes e uma bela história de amor que amarra tudo isso.

E cadê esses elementos nos dois últimos livros da série, que falam da seleção protagonizada por Eadlyn, filha do casal queridinho dos três primeiros livros?

Em A Herdeira, livro #4(tem resenha aqui) eu já senti falta dos elementos empolgantes da história, mas como Eady era uma princesa egoísta, mimada e irritante, achei que meu estranhamento com a obra tivesse essa a causa.Vi várias resenhas de leitores irritados com ela também, então tudo bem, minha implicância não era gratuita.

Captura de Tela 2016-05-12 às 14.16.41    Em A Coroa, Eady amadurece e consegue perceber que existe vida além do palácio, que o povo deve ser priorizado pela rainha e que é possível governar um país e ter um marido a seu lado sem demonstrar fraqueza. Ponto para a autora, certo? Mais ou menos.

A história ainda se prende muito a escolha do pretendente pela princesa e ignora vários pontos importantes que poderiam deixar a leitura empolgante. Vamos lá, temos uma mulher no poder, vamos falar de empoderamento feminino (lembrando que temos muitas adolescentes fãs da série) ? Temos um povo insatisfeito com o regime, vamos falar de política? E não é para transformar um livro de princesas em um manifesto não, é para trazer emoção, um pouquinho de profundidade e, sinceramente, para deixar uma competição entre alguns rapazes pelo coração de uma moça mais interessante.

Com pais tão inteligentes, críticos e subversivos como Maxon e America, a princesa Eadlyn parece carecer de senso crítico e seu maior problema adolescente-malhação é ‘Meus súditos me xingam muito no twitter’. Li o livro todo com aquela cara de quem achou que fosse comer chocolate, mas era alfarroba.

Para ser justa, há sim um vilão na história e uma sombra de discussão política. Porém tudo muito breve e superficial para o meu gosto.

Talvez eu esteja tomada pelo cenário político do nosso país, ou simplesmente já tenha passado da idade para histórias de princesas, mas ‘A Coroa’ não me conquistou. Ainda bem que tenho Max, Meri, Aspen, Marlee, Lucy e os rebeldes do sul e do norte para me fazer companhia.

Informações Técnicas
Título: A Coroa
Autor: Kiera Cass
Editora: Seguinte
Páginas: 310

Nota 3,0/ 5,0