Agenda Carioca de Clubes do Livro| Maio

Pois é, não tive tempo de organizar nossa agenda de abril, mas a de maio está aqui já no primeiro dia do mês para todo mundo poder anotar em suas respectivas agendas os encontros mais bacanas da cidade.

 

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02/05– “A viúva”, Clube Intrínseca, na Cultura do Centro.
02/05– Especial Lima Barreto, na Travessa do Leblon
04/05– “Quarenta Dias”, Clube7, na Travessa da Sete de Setembro.
08/05– “O Teatro de Sabbath”, Clube Barra, na Travessa do Barra Shopping
11/05– “O Estrangeiro”, Clube Blooks, Na Blooks de botafogo.
12/05– “O cão dos Baskerville”, Clássicos da Zahar, na Travessa do CCBB
13/05– Mochilão da Record, ma Cultura do Centro.
17/05– “Coração das Trevas”, na Travessa do Leblon
21/05– “O livro das Virtudes”, Clube Saraiva, na Saraiva do Rio Sul.
24/05– “Só Garotos”, Clube Leia Mulheres, na Blooks de Botafogo.
28/05– “Um amor Incômodo”, Mulheres na Literatura, na Travessa da Barra.
29/05– “Sagarana”,  na Travessa do Barra Shopping
30/05– “O Livro dos Espelhos”, na Travessa de Ipanema

 

++ Extra: não é clube, mas acho que a vinda da Jojo Moyes (de Como eu era antes de você) merece menção honrosa por aqui. O evento no RJ vai ser dia 08 e não poderei porque tenha aula 😦

 

Maio começou, vamos às leituras!

 

Versículo Sete

O amor é um troço. Um negócio que dá por aqui, sabe? que cresce. Vai crescendo, cresCENDO, CRESCENDO e Para.

Ai você continua andando até que meio que acostuma, e depois esse negócio passa a fazer parte das outras coisas.
você nem percebe que tá por aí e por aqui com esse troço, e resolve colocar tudo na estante daquele quarto. Aí você olha pra estante.
olha bastante, olha às vezes,
às vezes nem olha.

E pega o amor lá só quando precisa.

Agenda Carioca de Clubes do Livro| Março

Não sei quanto aos outros lugares, mas aqui no Rio de Janeiro nós brincamos de desejar Feliz Ano Novo após o carnaval.Acabaram-se as férias, o horário de verão e a procrastinação do ‘depois do carnaval eu começo’. Então se você está com energia para ler bastante e discutir com quem também entende e adora literatura, aproveita que em março teremos 7 Clubes de discussão + 2 eventos literários. Dos clássicos mundiais aos romances contemporâneos, em março vai ter Clube do Livro para todo mundo.

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07/03– “A filha Perdida”, Clube Intrínseca, na Cultura do Centro. Link do evento.
09/03– “O céu de Lima”, Clube7, na Travessa da Sete de Setembro. Link do evento.
09/03– ” Os aventureiros da solidão”, Clube Blooks. Link do evento.
11/ 03– Clube do Livro Saraiva, na Saraiva do Rio Sul. Link do evento.
14/03– “O mundo em chamas”, Clube Botafogo, na Travessa de Botafogo. Link do evento.
22/03– “Precisamos falar sobre Kevin”, Leia Mulheres, na Blooks. Link do evento.
25/03– 28 Encontro de leitores, A menina que comprava livros, na Travessa do Leblon. Link do evento.
26/03– “O pomar das almas perdidas”, Mulheres na Literatura, na Travessa Barrashopping,  Link do evento.
27/03– “Dois irmãos”, Clube Barra, na Travessa Barrashopping. Link do evento.
31/03– “Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda”, Clássicos da Zahar, na Travessa do CCBB.

Lembrando que:

  • Alguns eventos são livres, já outros precisam de inscrição prévia, então fique de olho nesse detalhe.
  • TODOS os eventos são gratuitos.

Vale também destacar a noite de autógrafos da Julia Quinn. Ainda não li nada da autora, mas conheço muita gente apaixonada por seus romances de época. No Rj, o evento será no dia 12, na Travessa do Leblon.

 

Feliz Ano Novo, pessoal !

 

 

Agenda Carioca de Clubes do Livro| Fevereiro

Eu adoro blogs literários, canais do booktube e todo tipo de interação online com outros fãs de literatura, mas também amo participar de eventos literários (#vemBienal) e clubes de leitura. Acho algo de mágico reunir um grupo de pessoas com o propósito de trocar experiências e impressões sobre uma obra. As discussões são sempre enriquecedoras e ver de perto a paixão de outras pessoas pelo texto acaba me incentivando a ler mais.

Felizmente no Rio de Janeiro  há muitos encontros de clubes de leitura, mas mesmo seguindo todas as redes sociais de livrarias e editoras que conheço, ainda me perco nas datas dos eventos. Por isso resolvi criar essa pequena agenda de eventos.
Pretendo fazer posts mensais divulgando os clubes que ficar sabendo. Mesmo que não consiga ir a todos, pelo menos ajudo outros leitores perdidos como eu a ser organizar.

Aqui estão os clubes que encontrei para FEVEREIRO

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17/02– “O Homem Invisível”, Clássicos da Zahar,  na Travessa do CCBB . Link do evento
19/02– “O Pomar das Almas perdidas”, Mulheres na Literatura, na Travessa do Barra Shopping. Link do evento
21/02–  “Cilada para um Marques”, Clube Autêntica, na Cultura do centro. Link do evento
22/02– “O morro dos ventos uivantes”, Leia Mulheres, na Blooks. Links do Evento

  • Alguns eventos são livres, já outros precisam de inscrição prévia, então fique de olho nesse detalhe.
  • TODOS os eventos são gratuitos.

Você sabe de algum evento literário que vá acontecer no Rio? Está organizando um clube de leitura? Me manda um email avisando, por favor!

No ar Rarefeito e a febre do cume

O livro

“No Ar Rarefeito”, do jornalista Jon Krakauer, narra a expedição rumo ao pico do Everest em 1996. Contratado por uma revista para escrever sobre a comercialização do que seria um dos maiores feitos da escalada, Krakauer foi com a missão de entender o negócio de transformar escaladores com pouca experiência e muito dinheiro, em desbravadores da maior montanha do mundo.
Logo no início já sabemos que esta foi a temporada com o maior número de mortes na história do esporte. Se isso se deu por despreparo dos escaladores, por imperícia dos guias das excursões ou por uma incrível falta de sorte em pegar uma tempestade de neve a 8 mil metros de altura, fica para o leitor decidir. Com um tipo de texto quase jornalístico, Krakauer apresenta fatos lembrados por ele e relatados por outros membros das equipes, além de contar histórias de vida de alguns colegas na intenção de apresentar suas motivações para vencer o cume.

Loucura (?)

   Eu já corri uma maratona. Sim, aquela de 42km. Fui chamada de louca por amigos não-corredores, afinal, passar meses treinando e horas correndo para se deslocar de um ponto a outro e ganhar uma medalha não é mesmo algo ‘normal’, mas quando se está inserido no esporte, no ambiente em que vários colegas se orgulham de ter esse feito no currículo, o desejo de fazer parte do ‘clube dos maratonistas’ cresce e se naturaliza.
Tendo dito que entendo que a loucura para uns é natural para outros E deixando claro que nunca escalei nada e sei pouquíssimo sobre esporte, ao ler ‘No ar rarefeito’ eu tive a certeza de que é LOUCURA escalar o Everest. Sério, que gente maluca!
Durante uma maratona, em caso de cansaço, você pode parar, voltar para casa, pegar uma carona na ambulância, terminar a prova caminhando… em nenhuma dessas opções você MORRE. Percebeu a diferença? No Everest, você morre.
Não quero parecer desrespeitosa às famílias da vítimas. O livro é um relato, todas as pessoas ali existiram e sinto muito pela tragédia, mas é difícil não pensar como aquilo poderia ter sido evitado.
Como a mente é capaz de nos pregar peças, não é mesmo? A ambição de se provar forte, capaz, de realizar um sonho ou de pertencer ao seleto ‘clube-dos-conquistadores-do-Everest-que-são-melhores-do-que-o-resto-da-humanidade’ sobrepõe o mais básico instinto de sobrevivência. A febre do cume é perigosa.

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A escolha do meu clube do livro de Janeiro

 

Você precisa escalar o Everest para ser feliz, para se sentir realizado, completo ou algo do tipo? Pode me explicar o porquê? Por que eu acho mesmo é que você precisa é fazer terapia.

A leitura

O livro é bem escrito e, para um relato, bem completo. Uma leitura interessante para quem gosta de fugir do romance padrão, mas eu sou amante do romance padrão, então, embora recomende o livro para amigos, achei a leitura maçante.
Não gosto de biografias, livros históricos e autoajuda, mas as vezes é bom fugir da ficção para ver como é a vida do outro lado. Nem que seja para aumentar minha certeza do amor pelo romance.

 

Nota: 3,5/ 5,0

obs: o filme ‘Everest’ fala sobre esta mesma expedição e me ajudou a visualizar o cenário do livro. Para quem não faz idéia do que é uma fenda ou um escalão Hillary, recomendo assistir o filme (mas só para servir de ilustração mesmo. o filme em si é meia-boca)

Sobre O valor do Chick lit ou, Eu te amo Marian Keyes

Eu comecei a gostar de ler tarde. Quando vejo alguém apaixonado por livros, a história sempre começa com “lia os livros da minha mãe”, ou “virava a noite lendo Harry Potter” ou até mesmo “tinha coleção completa da Turma da Mônica”.
Eu não lia gibis. Eu não lia os livros indicados na escola. Eu nunca ansiei por uma carta de Hogwarts.

Certo dia, num mar de textos teóricos e pesados da graduação, resolvi me abrigar em um romance leve e divertido, para que pudesse me distrair e esquecer um pouco os meios frios e quentes e a modernidade líquida. Foi quando me dei conta de que havia lido 400 páginas em dois dias. E assim, num só golpe, me tornei leitora e fã de chicklit.

C-H-I-C-K-L-I-T um termo cunhado de forma um tanto pejorativa, às vezes usado para indicar uma “baixa literatura”, comercial, sem valor artístico-filosófico-o-que-seja, mas que está sempre presente nas livrarias e no vagão das mulheres do metrô do Rio de Janeiro. É basicamente um gênero de comédia romântica ou drama romântico com protagonistas mulheres na faixa dos 30 anos. (sabe Bridget Jones? Então, é por ai.)

Eu não leio uma história garota-encontra-garoto esperando Dostoiévski e, pasmem, as autoras não escrevem esses textos tentando ser Dostoiévski. Se hoje eu amo literatura ao ponto de embarcar em uma pós-graduação na área (e minha pesquisa é sobre a nova crítica literária) é porque algum dia eu virei uma leitora, e fui apresentada aos livros por Marian Keyes e Sophie Kinsella. Elas escrevem livros de 500 páginas que poderiam ser resumidas em 5? Sim. As temáticas são parecidas e os conflitos das personagens são triviais? Na maioria das vezes, sim. A linguagem é simples e acessível? sem dúvidas, sim. E QUAL É O PROBLEMA?

Sabe o que eu fiz quando concluí o longo e desgastante processo seletivo do mestrado? Li um livro de 500 páginas sobre uma mulher que escreve um livro bobo enquanto estava hospitalizada, vira uma estrela literária e depois tudo vai por água abaixo. Livro esse que estava em minha cabeceira aguardando ansiosamente para ser lido desde o dia em que enfrentei 3 horas de fila para conseguir o autógrafo da autora irlandesa baixinha fofa por quem sou muito grata de ter entrado em minha vida.

Isso aí, depois de um ano lendo os Nobel de literatura, os filósofos da linguagem e os clássicos da crítica, fui correndo para os braços de quem a academia tanto despreza. E ESTÁ TUDO BEM. Tudo bem. Não me interprete mal por favor, eu amei ler os Nobel, os filósofos e os clássicos. Fiz marcações com caneta rosa e corações (sou dessas) no devir de Deleuze, beijaria Suely Rolnik após ler a “geopolítica da cafetinagem” e assaria biscoitos para receber Rancière para um chá da tarde, mas quando preciso apertar o pause e relaxar, sei a qual estante da livraria recorrer.

 

A conclusão que chego? Bem, pode ser que daqui a dois anos, quando terminar minha dissertação sobre o assunto eu ache esse post infantil e descabido, mas por enquanto, vejo que não se deve julgar o leitor por suas leituras (por mais que eu torça o nariz para os fãs de Augusto Cury. Tenha dó, gente! ).

Feliz 2017, boas leituras a todos e me desejem sorte no mestrado!

Beijos

O que aprendi com ‘Alucinadamente Feliz’

Jenny Lawson tem depressão, sofre de ansiedade, fobias sociais é meio maluca. Certo dia, numa espiral depressiva ela recebeu mais uma notícia ruim e, em vez de
se encolher e cair na profunda tristeza, resolveu mandar o mundo se fuder e ser alucinadamente feliz, só de raiva.

O livro reune memórias engraçadas e bizarras da autora desde sua infância e, muito pontualmente, aparecem trechos reflexivos sobre transtornos psicológicos. Jenny é jornalista e tem um blog bem famoso onde posta (sem muito filtro) situações do seu cotidiano. Está longe de ser um livro de autoajuda, mas mesmo assim muita gente se sente ajudada por saber que não está sozinha em suas estranhas batalhas diárias.

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Muitas vezes me peguei achando que partes do livro só poderiam ser ficcionais, e daquelas ficções que não convencem muito, tipo um realismo fantástico que ficou na metade do caminho, mas Jenny diz que tudo realmente aconteceu com ela e, partindo do princípio que seu pai é taxidermista ( gente que empalha animais mortos), acho que a linha entre o bizarro e cotidiano naquela família era bem diferente da minha.

Eu não tenho transtornos psicológicos (não que eu saiba) e não entendo quase nada de depressão e afins, mas acho que consegui tirar lições importantes do livro, como:

Dizer a alguém com depressão para ‘Se animar e sair dessa’ é como dizer a um surdo que ele não consegue ouvir porque ‘não está se esforçando o suficiente’.

          OK, eu sou uma pessoa legal otimista e amiga e me imagino dizendo todas as frases que Jenny pontuou como ineficazes e irritantes para quem está em depressão. Depressão é uma doença, é um desequilíbrio químico e deve ser encarada dessa forma. Se o tratamento vai ser feito com drogas sintéticas, naturais, holística eu não sei, só sei que culpar o doente de não esforçar direito não é o caminho. Me lembrei de quando eu tinha dores de barriga horrorosas e me diziam que “era psicológico”, como se eu não tivesse equilíbrio mental o suficiente para evitar um piriri em público. Não gente, EU NÃO TENHO DIARREIA DE PROPÓSITO E NÃO ESTOU QUERENDO CHAMAR ATENÇÃO, era o que eu queria gritar. No fim das contas descobri (eu não, o Dr. Sabrá, santo homem) que tenho alergia alimentar e que meu sistema digestório estava completamente zoado.

Escreva com honestidade

Jenny já tinha um blog de sucesso quando decidiu falar sobre sua depressão, mas a abordagem honesta sobre sua vida e sua relação com a doença gerou uma comoção entre os leitores. Ela pode ajudar leitores e criar uma rede para pedir ajuda quando precisa. Além disso, virou um fenômeno editorial, porque encontrou um nicho pouco explorado (pelo menos do jeito que ela o explora) e nada disso foi de propósito. Ela só escreveu o que queria escrever, com o olhar que só ela poderia ter.

Tenha empatia, paciência e ofereça ajuda.

Se um ente querido tiver depressão, a melhor forma de abordar é com respeito, atenção e ajuda nas questões práticas. Frases motivacionais são legais, mas como disse aí em cima, as vezes o tiro sai pela culatra.

Seja feliz, do jeito que você é feliz.

Já somos comparados, cobrados e obrigados a fazer muita coisa, mas quanto a felicidade ela só pode ser particular. Só eu sei o que me faz feliz e é essa voz que devo ouvir. Cala a boca, mundo! Meu tempo livre é meu e eu não vejo Game of Thrones, pare de insistir, por favor.

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Como obra literária, acho que poderia ser mais enxuto. O livro é composto por várias histórias curtas ( ótimo para ler no metrô!) e por uns momentos eu meio que cansei do tanto de estranheza delas. Por não ter continuidade entre uma história e outra, aquela sensação de ‘preciso ler mais um capítulo mesmo sendo 2 da manhã e tendo que acordar cedo para trabalhar’ faz falta. Intercalei sua leitura com outro livro (bem maior e acabei de ler bem antes)  mas Jenny tem um texto muito fluido e faz a leitura valer a pena. Ela sabe escrever sobre o cotidiano, algo que acho difícil, sem a informalidade toda do blog, do jeito que um livro leve deve ser. Também gostei muito dos pensamentos nonsense que pontuam os textos e sempre se repetem ao final de uma história, dando aquela ideia de ciclo fechado, algo que amo em textos mais curtos e crônica.

 

Nota: 5,0/ 5,0