Aquela última fatia de torta

Certo dia me fizeram uma solicitação de troca de livros no Skoob. Eu, desapegada que sou, aceitei, mas não encontrei nada na lista do solicitante que me agradasse para que eu pudesse pedir em retorno. Eis que então a pessoa iluminada me sugeriu pegar “O Segredo do meu Marido”, da autora australiana Liane Moriarty.

Assim que recebi o livro comecei a ler e me apaixonei. A naturalidade dos diálogos e o segredo que ia se revelando aos poucos junto a histórias mais complexas de outras personagens me cativaram. Terminei a leitura em tempo recorde e indiquei a todos que apareciam na minha frente.

Quando o segundo grande lançamento da autora chegou ao Brasil eu estava estudando feito louca e coloquei “Pequenas Grandes Mentiras” para o fim da pilha de leitura. Logo soube que a trama viraria série, mas me prometi não assistir aos episódios enquanto não lesse o original. Promessa essa que durou até um domingo de chuva em que descobri que já havia 5 episódios disponíveis no NOW.

Pequenas mentiras de famílias de classe média que culminam em um evento surpreendente. Roteiro viciante. Atuações sensacionais. Direção maravilhosa. Trilha sonora perfeita (OUÇAM A TRILHA SONORA !). HBO.
Novamente intimei todos ao meu redor a assistir essa maravilha televisiva (sorry. it’s not tv, it’s hbo) e a se unir a mim no fã-clube de Liane Moriarty Lovers TM (patente pendente).

Então, para chegar finalmente ao objeto dessa resenha, vi o lançamento “Até que a culpa nos separe” reluzindo em uma prateleira na Livraria Cultura no mês passado. Peguei meu exemplar e fui aproveitar minhas merecidas férias do mestrado com um texto nada teórico-ensaísta-acadêmico.

Essa é a parte que eu explico o título da resenha: sabe quando você come uma torta maravilhosa, que tem tudo que você gosta e parece que nunca vai te enjoar? Você tenta deixar a torta na geladeira para comer mais tarde, mas não descansa enquanto não comer mais um pedacinho, mais uma fatia, só mais um pouquinho para não estragar na geladeira? (a gente sabe que não vai estragar no dia seguinte. a gente sabe.) Aí a última fatia, que tem os mesmos ingredientes da primeira, tão linda e cremosa quanto a segunda, parece enjoativa e meio sem-graça. Você sabe disso, não sabe?

46566779E foi isso que senti lendo “Até que a Culpa nos Separe”. Reconheci ali todos os ingredientes de um “romance de Liane Moriarty”. Temos pequenos segredos familiares numa trama recortada que vai se revelando aos poucos. E achei um saco.
Sim, muito maduro dar essa volta textual enorme para dizer “que saco”, mas é isso. É um livro bem escrito (embora eu tenha percebido uma tradução um tanto apressada), tem romance, drama, suspense, personagens tridimensionais, mas nada ali parece surpreender de fato.A impressão é que Liane encontrou uma fórmula e a pretende usar até esgotá-la, uma pena.
Eu aqui abri o botão da calça, estufei a barriga e enfrentei a última fatia da torta. Sem muita empolgação, como aquela fatia da gula costuma ser, e fui até o fim. Estou cheia.

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Um comentário sobre “Aquela última fatia de torta

  1. Bom Dia!
    Acabo de sair do spotify e o que estava ouvindo? Playlist de Pequenas Quandes Mentiras. Amo❤️
    É a segunda resenha que leio com a mesma impressão sobre o terceiro livro dela, nem estou com vontade mais de ler.

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