O que aprendi com ‘Alucinadamente Feliz’

Jenny Lawson tem depressão, sofre de ansiedade, fobias sociais é meio maluca. Certo dia, numa espiral depressiva ela recebeu mais uma notícia ruim e, em vez de
se encolher e cair na profunda tristeza, resolveu mandar o mundo se fuder e ser alucinadamente feliz, só de raiva.

O livro reune memórias engraçadas e bizarras da autora desde sua infância e, muito pontualmente, aparecem trechos reflexivos sobre transtornos psicológicos. Jenny é jornalista e tem um blog bem famoso onde posta (sem muito filtro) situações do seu cotidiano. Está longe de ser um livro de autoajuda, mas mesmo assim muita gente se sente ajudada por saber que não está sozinha em suas estranhas batalhas diárias.

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Muitas vezes me peguei achando que partes do livro só poderiam ser ficcionais, e daquelas ficções que não convencem muito, tipo um realismo fantástico que ficou na metade do caminho, mas Jenny diz que tudo realmente aconteceu com ela e, partindo do princípio que seu pai é taxidermista ( gente que empalha animais mortos), acho que a linha entre o bizarro e cotidiano naquela família era bem diferente da minha.

Eu não tenho transtornos psicológicos (não que eu saiba) e não entendo quase nada de depressão e afins, mas acho que consegui tirar lições importantes do livro, como:

Dizer a alguém com depressão para ‘Se animar e sair dessa’ é como dizer a um surdo que ele não consegue ouvir porque ‘não está se esforçando o suficiente’.

          OK, eu sou uma pessoa legal otimista e amiga e me imagino dizendo todas as frases que Jenny pontuou como ineficazes e irritantes para quem está em depressão. Depressão é uma doença, é um desequilíbrio químico e deve ser encarada dessa forma. Se o tratamento vai ser feito com drogas sintéticas, naturais, holística eu não sei, só sei que culpar o doente de não esforçar direito não é o caminho. Me lembrei de quando eu tinha dores de barriga horrorosas e me diziam que “era psicológico”, como se eu não tivesse equilíbrio mental o suficiente para evitar um piriri em público. Não gente, EU NÃO TENHO DIARREIA DE PROPÓSITO E NÃO ESTOU QUERENDO CHAMAR ATENÇÃO, era o que eu queria gritar. No fim das contas descobri (eu não, o Dr. Sabrá, santo homem) que tenho alergia alimentar e que meu sistema digestório estava completamente zoado.

Escreva com honestidade

Jenny já tinha um blog de sucesso quando decidiu falar sobre sua depressão, mas a abordagem honesta sobre sua vida e sua relação com a doença gerou uma comoção entre os leitores. Ela pode ajudar leitores e criar uma rede para pedir ajuda quando precisa. Além disso, virou um fenômeno editorial, porque encontrou um nicho pouco explorado (pelo menos do jeito que ela o explora) e nada disso foi de propósito. Ela só escreveu o que queria escrever, com o olhar que só ela poderia ter.

Tenha empatia, paciência e ofereça ajuda.

Se um ente querido tiver depressão, a melhor forma de abordar é com respeito, atenção e ajuda nas questões práticas. Frases motivacionais são legais, mas como disse aí em cima, as vezes o tiro sai pela culatra.

Seja feliz, do jeito que você é feliz.

Já somos comparados, cobrados e obrigados a fazer muita coisa, mas quanto a felicidade ela só pode ser particular. Só eu sei o que me faz feliz e é essa voz que devo ouvir. Cala a boca, mundo! Meu tempo livre é meu e eu não vejo Game of Thrones, pare de insistir, por favor.

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Como obra literária, acho que poderia ser mais enxuto. O livro é composto por várias histórias curtas ( ótimo para ler no metrô!) e por uns momentos eu meio que cansei do tanto de estranheza delas. Por não ter continuidade entre uma história e outra, aquela sensação de ‘preciso ler mais um capítulo mesmo sendo 2 da manhã e tendo que acordar cedo para trabalhar’ faz falta. Intercalei sua leitura com outro livro (bem maior e acabei de ler bem antes)  mas Jenny tem um texto muito fluido e faz a leitura valer a pena. Ela sabe escrever sobre o cotidiano, algo que acho difícil, sem a informalidade toda do blog, do jeito que um livro leve deve ser. Também gostei muito dos pensamentos nonsense que pontuam os textos e sempre se repetem ao final de uma história, dando aquela ideia de ciclo fechado, algo que amo em textos mais curtos e crônica.

 

Nota: 5,0/ 5,0

 

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2 comentários sobre “O que aprendi com ‘Alucinadamente Feliz’

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