Resenha- Eu sou Malala

Malala viu seu vale virar refém do Talibã.
Malala viu seu pai lutar para manter uma escola de qualidade para meninos e meninas no Swat, Paquistão.
Malala ergueu sua voz para defender o direito à educação das meninas enquanto mulheres eram agredidas por saírem às ruas sem burca.
Malala sobreviveu a guerra,a um tiro a queima roupa, recebeu o apoio de todo o Ocidente e foi a pessoa mais jovem a ganhar um Nobel da Paz.
Definitivamente, a história de Malala e de seu país merece ser conhecida.

Li este livro por indicação de uma amiga do meu ‘Clube do Livro’. Como não sou muito fã de biografias, confesso que esta leitura foi bem além da minha zona de conforto, mas os temas abordados no livro são, infelizmente, muito atuais e importantes para enriquecer debates sobre fundamentalismo religioso, feminismo e o ‘terrorismo’ que temos visto com mais frequência nos noticiários.

O livro narra histórias de familiares e amigos de Malala, e monta um panorama do crescimento do Talibã e da ‘guerra ao terror’ pelo ponto de vista do povo paquistanês. Vejo como um ótimo material histórico e de criação de empatia pelos milhares de islâmicos inocentes que também sofrem nas mãos do Talibã. Este livro serviu bastante para humanizar minha visão de ‘povo muçulmano’ e amenizar essa visão de ‘nós’ versus ‘eles’ construída com tanto afinco pela nossa querida mídia internacional.

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Sim, eu leio na academia.

Analisando como obra de literatura, eu, enquanto leitora, não gostei do texto. A leitura é lenta e difícil. Há muitos personagens e uso de palavras em outra língua. Mesmo que se explique o significado das palavras, o ritmo  da leitura acaba sendo quebrado constantemente. (Todas as amigas do clube do livro tiveram dificuldades em achar um ritmo bom de leitura.)

Um ponto curioso é que a campanha de divulgação do livro exalta o Malala como ganhadora do Nobel da Paz, porém, a própria dedica 2 ou 3 linhas a essa conquista. Acredito que isso se deva a cultura patchun de não valorizar seus grandes feitos. Sinto que sei mais sobre a galinha de estimação da família do que sobre o que é ser a mais jovem ganhadora de um Nobel.

 

Tendo dito isso, dei 2 estrelas para o livro. Não pelo conteúdo, é claro, mas o texto poderia ser bem melhor.

Para encerrar, deixo um poema escrito po Martin Niemoller, que viveu na Alemanha nazista e que é citado no livro como sendo um dos favoritos de Ziauddin, pai de Malala.

Primeiro vieram buscar os comunistas,
e eu não disse nada por não ser comunista.
Depois vieram buscar os socialistas,
e eu não disse nada por não ser socialista.
Então vieram buscar os sindicalistas,
e eu não disse nada por não ser sindicalista.
Em seguida vieram buscar os judeus,
e eu não disse nada por não ser judeu.
Também vieram buscar os católicos,
e eu não disse nada por não ser católico.
Então vieram me buscar,
e não havia ninguém para me defender.

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Um comentário sobre “Resenha- Eu sou Malala

  1. Talvez a ideia do livro seja exatamente a de não passar uma construção literária ou de referência documental, mas um testemunho contundente de alguém que faz a sua parte para manter um Mundo Melhor.
    Tive essa mesma sensação ao ler O Caçador de Pipas e, pelo q senti, eles preferem evidenciar outros pontos mais Importantes pra eles, afinal, eles é q vivem aquele inferno.
    Quanto a redação do Livro, realmente não há muito o q dizer, o idioma diferente e a redação podem não ajudar, mas isso já é uma boa “peneirada” e poucos acabam absorvendo um bom livro. Gostei da postagem, parabéns.

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